quarta-feira, 22 de julho de 2015

Cena 2



Perco-me inesperadamente pelos corredores à luz de uma pedregosa chama de poesia. Mergulho nas palavras como se eu tivesse no pulso um relógio apressado ou houvesse uma chuva ansiosa para despencar céu abaixo. As palavras hesitam sobre a mesa, se coagulam, se desconjuntam, fecham-me as portas. A fluidez do sangue estanca. E por um desvio de qualquer natureza, atravesso o oceano insinuando-me através das ondas a lavrar um céu coalhado de hibiscos que se espalham por tendas e tapetes persas, exalando perfumes e fulgores perseverantes como o das palavras ainda há pouco anunciando um lento infiltrar-se de oxigênio nas minhas veias fatigadas. Entrego-me ao ritual das chamas. 

(José Carlos Sant Anna)

8 comentários:

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  6. Fogos, chamas em oceanos com artérias de sangue poético.

    Estendo as mãos e sinto esse ardor, dessa fogueira a queimar, que se disemina por todo o meu ser.

    beijinhos

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  7. Vim te visitar.
    Nunca tenho um caminho traçado, permito-me embrenhar-me no labirinto das tuas palavras e descobrir as pérolas escondidas.
    Apesar de não ter entendido completamente sua penúltima visita à minha casa, prefiro levar para o melhor lado e nunca, nunca mesmo me privar de sua arte.
    Abraços e bom dia!

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  8. Querido amigo, imagino que houve engano, talvez dos dois lados mas, como disse, mesmo enganada, escolhi o melhor caminho. Despreocupe-se.
    Deixo beijos e desejo uma semana muito feliz

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