domingo, 9 de agosto de 2015

Cena 4



Escrevo nos teus olhos de luar o rumor dos insetos e da última estrela onde adormecem as nossas vidas. É tudo muito rápido. Poderia escrever outras palavras, outros sinais, antes que o dia se cruzasse com outras semeaduras, quando no meio da noite vens e dizes o quanto és doce, clareando o meu peito de menino, florescente, a dizer-me da urgência do amor, dos corpos enleados, depois destas lâmpadas acesas e das vespas que atiçam as carnes das palavras e do corpo que não suporta tanto calor, e do ardor da sede, desse tempo de voar, muito além de tudo, sentindo o teu lume no meu, sopro-a-sopro, e o sabor da tua água nas zonas mais incandescentes celebrando a fome desse sol interminável, desses corpos dissolvidos. 

(José Carlos Sant Anna)


8 comentários:

  1. Que bom k você veio! O tempo é sempre pouco para o que pretendemos fazer, mas, regressar ao nosso aconchego, ao nosso canto, recanto e encanto, tem duplo sabor.
    Você não "viu" Gabriela, menina "Vesúvio", segundo afirmou em meu blog, mas a vista, o olhar nunca cansa, o de vocês, para novas "paisagens", embora não esqueçam as "velhas".

    Respondo-te nessa noite quente, em que os insetos andam desvairados à procura de pele, ou de alguma lugar ou "coisa" onde possam pousar, amar e dormir.
    Infelizmente, os momentos muito bons são muito rápidos, mas, se assim não fosse, morreríamos de tanta florescência.

    Sabe bem ser doce e urgente no amor, pke amanhã pode ser tarde demais. As vespas e as urtigas que espicaçam a carne, os corpos, não nos deixam, não nos dão tréguas e, voluntariamente, vamos ceder, por desejo e por prazer.

    E depois? Teremos capacidade pra pensar?

    Olá, José Carlos!

    Quero que se sinta mto bem e feliz. Já escreveu, portanto, já aliviou.
    Gostei muitoooooooooooooooooooooooooooooo do seu texto, em forma de metáfora "diabética", repleto de meandros, margens, alçapões, leitos e muita ternura, sobretudo. Se deu o encontro da fome com a vontade de comer, enquanto o sol já envergonhado se escondia. Os humanos não têm vergonha e não pensam.

    Uma boa semana, com amor.

    Abraço você!

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  2. Assim como o amor, escrever também pede urgência.
    Mais uma grande cena, José Carlos.Gostei muito.

    Beijo.

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  3. Acredite, meu querido amigo, k, nem sempre consigo distinguir, saber quem é José Carlos Sant Anna Sant Anna (razão de dois apelidos iguais. Ando pra perguntar isso a você há mto tempo), homem, com aquelas características comuns a todos, ou quase, do mesmo género, e o escritor de muita imaginação, de formação académica superior, talentoso, racional e inteligente.

    A propósito do comentário k, você deixou, ontem, em meu blog, fiquei pensando se
    foi mais um pouquinho do seu "romance" transcrito para lá, ou se correspondia à vontade real de um homem, de carne e osso. Qualquer das duas hipóteses são meritórias, embora um vinho quente, acho eu, k nunca ingeri uma gota de álcool, não substitui a quentura com doçura da mão de uma mulher, não de qualquer uma, mas daquela em k estamos pensando.

    Espero k esse frio do agosto, daí, se entenda com o calor do agosto de cá. Vamos pôr eles namorando?

    Caminhada e Academia já "abriram portas", por aí?

    Uma noite, aí, quase hora da janta, bem feliz.

    Abraço quente, como não poderia deixar de ser.

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  4. Já calculava, meu querido José Carlos, k você fosse de carne, osso e pescoço, como você, graciosamente, escreveu e portanto com coração, sempre pronto a "bombear". Bem, qdo iniciar academia e caminhadas, apanha toda e qualquer garota, mesmo aquelas que vão participar nos Jogos Olímpicos.
    Surfar, "meu amor"? Surfar rima com mar. Então, já não dá pra mim (risos). Sou medricas, lenta, não gosto do mar (eu sei k sou diferente, mas quero falar a verdade pra você e toda a gente).

    Tem um lindo nome, te digo, e até tem um nome "normal", ou seja, no Brasil, os nomes são pouco usados, por aqui, e o seu é mundialmente aceite, e como soa bem: Joseph Charles, John Charles.
    Sant Ana, acho um luxo, impregnado de um certo misticismo religioso.

    Te desejo uma noite feliz e cheia de céu.

    Um beijo, com mto carinho!

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  5. Apetite, fome, duas belas palavras para traduzir a tua sublime prosa poética.

    Surpreendes-me sempre, marca de escritor a sério.

    Beijinhos

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  6. Na imolação da carne se apaziguam os espíritos, (in)quietos.

    Perfeito isto!
    Um BFS, José Carlos Sant Anna

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  7. Seus belíssimos pensamentos, vieram até mim, envoltos em lenços esvoaçantes de seda, que fui tirando um a um...
    Disse Platão: "A alma está ligada ao corpo pelos prazeres e pelas dores".
    José Carlos, um ótimo fim de tarde!!!

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  8. Estive encantando-me por aqui, amigo (já ouso te chamar assim).
    E te lendo, só posso agradecer do fundo do coração que me honre com suas visitas.
    Qualquer elogio aos seus textos seria insuficiente mas arrisco dizer que elevam a alma. E agradeço pelo dom que vc tem de encantar.
    Grande abraço

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