sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Cena 5



Leve espessura, fugaz, complacente. A música se dilui, o que me leva a escutar lençóis e fronhas em suaves ondulações, hálitos de brancura, enquanto as mãos e o olhar se tecem. Livre, abre-se ao meu corpo o teu palácio, as tuas tranças negras me envolvem como um sopro mais alto, águas que não se cansam, aromas de pedra, perfumes de cântaros resvalam tangíveis. Abandono-me em espirais brancas, voluptuosas, em todas as partes da morada do teu corpo, entranhas mudas impõem-me um flagelo pelos teus ermos, onde por fim vou saber existir nas comportas abertas onde o meu ser inteiro mede a si mesmo sem que a chuva passe nos rumores da língua. E ardendo, como uma lava em manchas de óleo, vou me queimando. Então, parte alguma de mim se intumesce incendiada pela tua corola, boca impetuosa. 

(José Carlos Sant Anna)


8 comentários:

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  2. bom dia José Carlos,
    de passagem apanho essa chama que se acende num lindo poema :)
    obrigada pela força da palavras

    abraço
    Angela

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  6. Dois corpos que se fundem consumidos pelo desejo.Arrebatador, José Carlos.

    Beijo.

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  7. Não tenho desculpa, sei que sou distraída, de facto.

    Bem...como comecei na cena 6 irei descendo.

    Quem sabe, não serei leitora sem castigo?

    Nesta cena, parou minha respiração e quase sufocava por entre lençóis, castelos e desejos muito para além do imaginável.

    Gosto deste combustível infindável onde ardes e fazes arder.

    Beijinhos

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  8. O tempo correu mais que eu esses dias e acabei ausentando-me mas, o prazer de saborear tuas palavras sempre me trará de volta a tua casa.
    Tive saudades... deixo beijos

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