sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Cena 7



aquela felina roeu os meus andrajos 
e soletrou entre as sombras da madrugada a palavra umbigo trocentas vezes antes de escovar 
os dentes com Kolynos. 
depois esticou o pescoço, como se fosse uma girafa, 
para ler o que eu escrevia no muro do que restou 
da nossa utopia, após os enganos 
dos nossos banquetes. 
como eu nunca soube que a loucura 
tivesse orgasmo, 
arrastei as fissuras do nosso caso 
para debaixo do tapete e, subitamente, 
bolerei num perfeito idioleto uma canção de tédio 
para as nuvens tensas 
que pairavam sobre a minha cabeça enquanto ela fugia levando o meu violão. 

(José Carlos Sant Anna)

10 comentários:

  1. Gata que se preze faz isso e mto mais, José Carlos! Que gosto danado ela deve ter tido, enquanto rasgava suas roupas, não interessa com ou sem qualidade, deixando seu corpo à vista, mas só à vista dela, à mão de semear, de tocar e acariciar.

    Ela ainda teve noção pra soletrar a palavra umbigo! Fantástica! Boca espaçosa, né? Lavar os dentes com a antiquíssima Kolynos, k aí se instalou desde 1917, diz a Wikipédia, não estava no programa dela, talvez isso ficasse pra depois.
    Essa pasta equivale à portuguesa Couto, k é abrasiva k só vendo, melhor, experimentando. A embalagem, acho, k aqui já mudou. Aí, a Kolynos se mantém patriota, amarela e verde, como a bandeira, mas a Colgate está tentando arejar as mentalidades e as bocas daí, também.

    "Trocentas" vezes, até k foram poucas, pke gata, k seja gata a valer, mira e espreita tudo: revira bolsos, abre gavetas, consulta agenda, celular enqto vocês dormem, ou se esquecem dele em casa, pke vocês "nunca" fazem nada de errado, nem desejam, qdo não passam à ação, o k vossos olhos veem e cérebro não comanda. A cabeça, a vossa, é o problema principal, e até morrer será sempre assim.

    Utopia? Foi, aconteceu e com banquetes. No Brasil ou na antiga Roma? Não dá pra me responder, pke estava tão "louco", k nem deu k tivesse tido orgasmo.
    É sempre assim, depois de "barriguinha cheia", fazem tudo, menos ruminar no k aconteceu. Agora sim, bom motivo pra tomar um banho e escovar os dentes, mas quê, invade a cantoria, o déjà vu", só que, e mais uma vez, e como gata inteligente k é, fugiu, roubando seu violão e você ficou tenso, pke com letra você tinha, mas música não. Há k se vingar, de qualquer jeito!

    Mas, o k é k o "minino" pensa ou pensou? Coisas rápidas não são pra gatas honestas (risos).

    Gostei mto do poema, do escrito tão brejeiro, sensual e natural, José Carlos!

    Continue com sol, e preferencialmente na alma.

    Abraços-------------------------------------------------------------------------------------assim.

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  2. E QUE CENA!

    Eu, serena e morena, te acaricio a pele, sob a roupa
    e balbucio ao seu ouvido, no resplandecer das noites
    palavras recatadas, únicas, aquilo que só eu sei falar
    e te excitar
    exalando uma fragrância rara, de hibiscos teus, a minha.

    Em seguida, me estendo e me espreguiço toda em ti
    como ave branca, suculenta
    para tentar decifrar o que me diz teu faminto coração
    ali, tão perto da minha mão
    nas orgias caladas, sentidas, destemperadas de ambos
    sem dúvidas, arrependimentos, mas por consenso mútuo.

    Soubemos e fizemos muitas vezes levantar o sol, em ereção
    que, jamais se apercebeu de nossas gostosas travessuras
    tanto assim que nos desnudamos ambos, sob o calor dele
    e ele, sem prestar a mínima atenção, foi para outro hemisfério
    dando risadas, soltando cantatas, falando Línguas esquisitas
    dialetos de amor, talvez
    que só nós conseguíamos descodificar, compreender e sorver
    naquele "ledo e cego" sentimento, que nos prendia e abalroava
    não precisando nós de mais nada. A música estava em nós dois.

    (Céu)







    e te excitar

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  3. Retificando: sexto parágrafo, 8ª linha: pke letra você tinha.....

    Ah! No final do pretenso poema k escrevi, como segundo comentário, e te excitar, aparece bem desgarrado e destacado. Desculpe, José Carlos, devo ter escrito, e depois, não apaguei.
    Visto, por outro ângulo, até que nem fica mal de todos (risos).

    Te abraço.

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  4. Fugiu com o violão? É roubo! prendam logo e deitem a chave fora. Na cela aproveita logo e dá um castigo bem merecido. Para começar, ficar proibida de usar kolynos durante 1 mês! eheheh
    Beijos

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  5. Uma imensidão de estrelas nesta via láctea das letras.
    E nebulosas em competição...
    Muito interessante, o blogue.

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  6. Que lindo,amigo!!!!!!
    O vilão serve para que a vida fique menos sofrido,
    pois a música é um bálsamo em nossa vida!
    Sorrisos, Kolynos e um adeus forçado!!!!
    Bjos e linda semana!
    http://www.elianedelacerda.com

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  7. Entre as trocentas vezes da palavra umbigo e a pasta Kolynos desvenda-se toda a magia dos encontros que a tudo permite entre as sombras da madrugada e nos enganos dos banquetes... Gosto da mescla de lirismo/sensualidade/cotidiano que imprimes na tua poesia, ora nos tornando deuses ora nos condicionando a meros seres mortais com esta deliciosa leitura dos teus escritos.
    Por mais que eu diga do teu modo de poetar, daquilo que me chega quando minha alma se debruça sobre a tua e tenta absorver a palavra/sentido/emoção de um poema teu, sinto que é tão pobre o meu linguajar... Pobre, no sentido de que não serão nas palavras que todo o meu sentimento de admiração e respeito poderá ser traduzido. É justamente naquilo que não digo que fica impresso o meu gostar de te ler.
    Meu amigo querido: ao ver tua mensagem no meu espaço apoderou-se de mim um sentimento de gratidão tão grande que me apressei a vir visitar-te.
    Estou num daqueles momentos em que poucas são as coisas que me tiram do estado de apatia em que me encontro, e entre o prazer de visitar os amigos da blogosfera estão as atividades profissionais e o contato (por enquanto ainda penoso) com familiares, amigos e colegas.
    Muitas vezes frente à tela sinto que os dedos querem obedecer ao comando dos sentimentos e emoções que ainda flagelam as defesas contra as lembranças mais doídas... Somente num enorme esforço consigo livrar-me das garras de uma catarse para tentar escrever algo que seja menos penoso aos amigos que me acompanham há um bom tempo. Espero que aos poucos possa conseguir este intento.
    Por agora, meu querido, enquanto os sorrisos e as estrelas não conseguirem encontrar o caminho de volta, deixo-te apenas um beijo do meu para o teu coração.
    Com carinho,
    Helena

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  8. Uma felina marota, há-as mansas?

    E o trovador como canta sem o violão?

    Beijos

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  9. Dá vontade de torcer o pescoço dessa gata safada...
    Beijos, querido José Carlos!!!

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  10. Essa felina, tão ardilosa, talvez até merecesse uma segunda chance... quem sabe não traria o violão de volta? ;)
    Beijos, meu amigo... tenha um lindo sábado, cheio de alegrias

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