sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Cena 7



aquela felina roeu os meus andrajos 
e soletrou entre as sombras da madrugada a palavra umbigo trocentas vezes antes de escovar 
os dentes com Kolynos. 
depois esticou o pescoço, como se fosse uma girafa, 
para ler o que eu escrevia no muro do que restou 
da nossa utopia, após os enganos 
dos nossos banquetes. 
como eu nunca soube que a loucura 
tivesse orgasmo, 
arrastei as fissuras do nosso caso 
para debaixo do tapete e, subitamente, 
bolerei num perfeito idioleto uma canção de tédio 
para as nuvens tensas 
que pairavam sobre a minha cabeça enquanto ela fugia levando o meu violão. 

(José Carlos Sant Anna)

10 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  4. Fugiu com o violão? É roubo! prendam logo e deitem a chave fora. Na cela aproveita logo e dá um castigo bem merecido. Para começar, ficar proibida de usar kolynos durante 1 mês! eheheh
    Beijos

    ResponderExcluir
  5. Uma imensidão de estrelas nesta via láctea das letras.
    E nebulosas em competição...
    Muito interessante, o blogue.

    ResponderExcluir
  6. Que lindo,amigo!!!!!!
    O vilão serve para que a vida fique menos sofrido,
    pois a música é um bálsamo em nossa vida!
    Sorrisos, Kolynos e um adeus forçado!!!!
    Bjos e linda semana!
    http://www.elianedelacerda.com

    ResponderExcluir
  7. Entre as trocentas vezes da palavra umbigo e a pasta Kolynos desvenda-se toda a magia dos encontros que a tudo permite entre as sombras da madrugada e nos enganos dos banquetes... Gosto da mescla de lirismo/sensualidade/cotidiano que imprimes na tua poesia, ora nos tornando deuses ora nos condicionando a meros seres mortais com esta deliciosa leitura dos teus escritos.
    Por mais que eu diga do teu modo de poetar, daquilo que me chega quando minha alma se debruça sobre a tua e tenta absorver a palavra/sentido/emoção de um poema teu, sinto que é tão pobre o meu linguajar... Pobre, no sentido de que não serão nas palavras que todo o meu sentimento de admiração e respeito poderá ser traduzido. É justamente naquilo que não digo que fica impresso o meu gostar de te ler.
    Meu amigo querido: ao ver tua mensagem no meu espaço apoderou-se de mim um sentimento de gratidão tão grande que me apressei a vir visitar-te.
    Estou num daqueles momentos em que poucas são as coisas que me tiram do estado de apatia em que me encontro, e entre o prazer de visitar os amigos da blogosfera estão as atividades profissionais e o contato (por enquanto ainda penoso) com familiares, amigos e colegas.
    Muitas vezes frente à tela sinto que os dedos querem obedecer ao comando dos sentimentos e emoções que ainda flagelam as defesas contra as lembranças mais doídas... Somente num enorme esforço consigo livrar-me das garras de uma catarse para tentar escrever algo que seja menos penoso aos amigos que me acompanham há um bom tempo. Espero que aos poucos possa conseguir este intento.
    Por agora, meu querido, enquanto os sorrisos e as estrelas não conseguirem encontrar o caminho de volta, deixo-te apenas um beijo do meu para o teu coração.
    Com carinho,
    Helena

    ResponderExcluir
  8. Uma felina marota, há-as mansas?

    E o trovador como canta sem o violão?

    Beijos

    ResponderExcluir
  9. Dá vontade de torcer o pescoço dessa gata safada...
    Beijos, querido José Carlos!!!

    ResponderExcluir
  10. Essa felina, tão ardilosa, talvez até merecesse uma segunda chance... quem sabe não traria o violão de volta? ;)
    Beijos, meu amigo... tenha um lindo sábado, cheio de alegrias

    ResponderExcluir