quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Cena 14


As amoras
ciosas     incomuns
mostram um raro bom senso
quando me trazem nos seus lábios
o gosto maduro do seu fruto.

Mas eu    inquieto amador
não tive o mesmo bom senso
ao revelar
o segredo das amoras
e dos seus lábios em insólito poema.

Agora as amoras
tensas 
sombrias
                       pairam
acima das nuvens
com essa revelação
que se espalhou por toda parte. 

José Carlos Sant Anna

21 comentários:

  1. lindo,amigo poeta!
    Sempre as amoras estão em toda parte,
    elas compõem os grandes momentos,
    as horas nobres de nossa vida!
    LINNNNDDDDOOOOOO
    http://www.elianedelacerda.com

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  3. Mas que segredo era esse? Será que essa amoras estavam noutra boca e quando vc chegou perto ficou com "as provas do crime" na boca? As amoras são tão pequeninas e fofas! Ainda assim, dão para se lambuzar à vontade...
    Beijos e abraços

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  5. Quando criança passava as férias na fazenda do meu avô que possuía um belíssimo pomar onde, entre tantas árvores frutíferas, havia uma disputa maior entre as crianças pelos pessegueiros e amoreiras, que era sempre a minha primeira escolha. A bem da verdade, consumíamos os frutos da indefesa árvore naquela ânsia infantil como se ela fosse sair do lugar ou as amoras tivessem o poder de voarem para longe. Colher civilizadamente os frutos, lavá-los, para depois fazer a degustação é claro que nem passava pelas nossas cabecinhas. Queríamos tudo ali, na hora, fruta colhida do pé e devorada aos montes, o que nos lambuzava as mãos e o rosto com aquela cor rubra tão vibrante que nos encantava. Depois, já saciados, seguíamos aos bandos pelo pomar a fora tentando ver se alguma outra fruta também nos apeteceria. Geralmente, já saciados de tanta amora, colhíamos algumas mexericas, pitangas, pêssegos e maçãs, e levávamos para alguns adultos para mostrar que éramos crianças bem comportadas e, principalmente, para não demonstrar que estávamos saciados com tanta amora ingerida.
    O segredo que guardamos das amoras é que as devorávamos aos montes, deixando a pobrezinha da árvore somente com galhos e folhas. Uma historinha bem inocente, pois nenhuma das amoras pairou acima das nuvens com a revelação “desse segredo”...
    Amigo, acredito que só os adultos não possuem o bom senso e revelam assim, de repente, o segredo das amoras “comidas”... O que vale, porém, é que fomos presenteados com um poema delicioso de se ler, o que nos permite considerar os versos de uma elegância ímpar, mesmo transpirando uma velada intenção... Ou quem sabe até por conta disto? (risos)
    Meu querido, adoro jogo de palavras e admiro quem o conduz com tanta delicadeza e habilidade. Parabéns!
    Pelos afetuosos comentários deixados na última postagem, agradeço de coração. Esta interação com os meus amigos trouxe uma alegria enorme para a Aninha que tanto gosta de prosear e que já possui no coração o dom da felicidade. Grata, mais uma vez.
    Deixo-te um terno beijo e o desejo de um final de semana de sonhos e muita diversão.
    Cuidado com a ingestão de amoras em demasia (risos).
    Helena

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  7. Que belo poema, José Carlos. Vc nunca é amador, é sim sensível e um grande poeta.

    Beijinho, querido.

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  8. Um poema que revela a tua mestria com as palavras-frutos e
    a ironia no amadurecimento da consciência de uma impulsividade
    invasiva, mas a impulsividade poética é sempre bela e
    transgressora...
    Poeta, guarda mais os segredos (rss)...
    O teu talento poético merece sempre ser
    inscrito em cena, José Carlos!
    Aprecio muito este teu espaço de arte.
    Abraço grande.

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  11. Pois falemos de frutas...
    Eu ignorava que o mangustão, ou mangostão, era tão poderoso... Tenho um cunhado, baiano de Itabuna, que reside aqui desde que se casou, há uns quarenta anos, mas, conserva umas terras em Una, onde há plantação de cacau e de mangustão. Ele está se preparando para ir lá e já lhe pedi para me trazer uma fruta, pois, não faço ideia do tamanho e nem do gosto que ela tem.
    É bem doce? Como as amoras maduras?rs
    José Carlos, kisojn!
    shirbcre@yahoo.com.br

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  13. Voando aqui para te deixar um abraço recheado de afeto e paz!
    Um privilégio ser lida e tão compreendida poeticamente por ti.
    Os teus comentários são primorosos!...
    Grata, viu?...
    Um final de semana feliz e inspirado com os teus!

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  14. E eu, que não li anteriores cenas, deparo-me com "a revolta das amoras"...
    Só há um remédio, é procurar o início e o desenvolvimento.
    Estou amorando, José Carlos!

    Abraço

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  15. Meu querido, sabe o que me intriga quando a noite cerra suas portas e cede lugar para que as ‘dobras do dia’ desfraldem suas horas? É chegar aqui (algum tempo depois de uma visita) e deparar com a mesma ‘cena’ todos os dias... (risos). Por vezes esqueço-me de que alguns autores possuem um sistema de postagem que obedecem a um calendário, e me parece que tu postas uma vez por semana. Confesso que não possuo nenhum critério, pois sou comandada pela ‘inspiração’ e pela ‘folga’ nas atividades profissionais. Tendo um tempinho corro a visitar os amigos ou então a fazer uma postagem.
    Ah, meu amigo, simplesmente amei ‘ouvir’ me chamares de Leninha, de Lena, pois adoro estes nomitos. Podes continuar com esta ‘intimidade’ sim, pois muito vai me agradar. Só não faça como a nossa querida Céu que começou também a chamar-me assim e de repente colocou um Dra. Leninha... Tem cabimento isto? Esta menina está a merecer um puxão de orelhas... Não achas? Mas acho que não posso agir assim, pois ela deixou flores e amoras para mim e a Aninha que, gulosa como é, quis ficar com todas, foi um custo pegar algumas para degustar (risos). Ainda bem que na volta ela trará mais... Quem sabe ela manda para ti também? (risos).
    Meu querido, também devo ausentar-me na semana vindoura até a primeira semana de Dezembro. Uma espécie de segunda lua-de-mel depois de um período tão sofrido. E também um descanso, pois o mês de Dezembro parece curto para tantas atividades que gosto de exercer com a minha turminha de protegidos (amigo oculto, visita de Papai Noel, interação com os familiares que, infelizmente, muitos só aparecem nestas ocasiões festivas). A Aninha pediu para ficar tomando conta do meu blog enquanto vou estar fora, mas estou aqui pensando o que esta menina pode aprontar. Não quero nem pensar o que vai sair dessa experiência (risos). Diz ela que assim terá a dimensão exata do que é manter um blog. Qual a tua opinião, amigo? Vou também fazer esta consulta para a nossa Céu. Já posso até imaginar o que os dois vão responder (risos). Acho que inconscientemente vou mesmo deixar, pois não consigo negar nada para esta minha cunhadinha maluquete...
    Acho que abusei demais do teu tempo, meu querido, por isto estou saindo, mas deixando um montão de sorrisos e um punhado de estrelas enfeitando este teu cantinho.
    Com carinho,
    Leninha (ou Lena)

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  16. Verdadeiramente encantada diante de tanta sensibilidade, tanto talento...um poema lindíssimo que toca a alma! abraços, ania..

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  17. Vim outra vez me encantar aqui... esses poemas das amoras (que entendi como dois relacionados e não como um só fracionado) são soberbos em transmitir esse segredo.
    Abraços e obrigada por abrir as portas. Entrarei sempre :)

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  18. Beijos com sabor a amoras...
    E amoras que nos trazem a recordação de beijos...
    Uma simbiose de sensações... muitíssimo bem construída neste poema...
    Deixo-lhe uma pequenina adivinha...

    Verde que verde nasceu,
    deita sangue sem ter dor,
    faz três mudanças no ano
    sem nenhuma ser de amor...

    O que é?...

    Abraço! Continuação de uma feliz semana, José Carlos!
    Ana

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    Respostas
    1. Como saber, Ana? Ajude-me a descobrir a resposta dando-me pelo menos uma pista...

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