sábado, 7 de novembro de 2015

Cena 15



Agora estou despojado de tudo. Impertinente, só não descartei a alergia e a pose de adulto idiossincrático que carrego comigo há anos como um mal necessário. Ainda que não o negue, cresci o bastante, e as roupas já não cabem em mim. O que faço, então? Visto-as sem nenhum pudor. Só aquele sapato feito a mão é que guardo como um adorno de veraneio. Eu só os calço por descuido porque não quero gastá-los e, quase sempre, o faço em dia de festa quando os meus pés ruidosamente os acolhem com meias de algodão e saio pelas ruas com os olhos nas nuvens e, ao mesmo tempo, nos sapatos como se carregasse nos pés uma joia, embora, os que me olhem, pensem que estou à procura de alguma coisa que perdi pelo caminho. 

Ah! E a areia! As andanças! A corda de enforcado! Como eu não queria este devaneio agora, esta sombra me perseguindo numa escancarada manhã de sábado, sim, escancarada mas ensolarada, como o diabo gosta. A promessa de espuma alvíssima, o mar batendo na amurada do cais, a leve impaciência, a chave perdida, os vampiros sugando sem cerimônia o meu sangue em plena luz do dia, os burocratas conspirando dia e noite, as raspas de manteiga no fundo do pote, o travo nos maxilares, os arrecifes de corais e os escombros do navio na baía onde se lê Mar del Plata, e a bandeira azul e branca, de los hermanos, tremulando no mastro, os fictícios tesouros ali perdidos, o medo de te perder também, o coração batendo com taquicardia, o ar seco, a luz crua, um estranho sentimento, um céu poderoso, a vodka dançando sobre um ataúde, e o serpenteio da serpentina no ar como a música de uma harpa, como se visse uma impossível musa, as cortinas oscilando, o vento vogando no entremeio, os móbiles a esmo, a água da chuva nos vidros da janela, a noite passada, tudo reverbera, e os filamentos são as nervuras de uma pétala encoberta pelas cascas de uma noz sobre uma mesa de jantar que ainda não se despojou dos restos da nossa última ceia. Os lobos  passeiam pela grama do meu jardim, enquanto procuro minha caixa de lápis de cor para retocar a policromia do arco-íris que está desbotando como se fosse um disfarce. 

                          (José Carlos Sant Anna)


22 comentários:

  1. Me identifiquei com essa cena, José Carlos. As vezes não sei como não enlouquecemos com tantos pensamentos... Leitura fantástica.

    Beijinho.

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  2. Tem sido um grande prazer te ler.
    Cada visita é uma surpresa. Fico grata por ter descoberto seu blog, sr.
    Meus respeitos

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  3. Um despojamento luminoso, guardando a preciosa alegria
    e a vivência de gestos únicos de uma sabedoria de autodefesa
    neste mundo, muitas vezes hostil.
    Alma de poeta é assim, libertária em sua originalidade:
    "Ainda que não o negue, cresci o bastante, e as roupas
    já não cabem em mim. O que faço então? Visto-as
    sem nenhum pudor."
    A mente povoada pelas entradas intrusas de
    tentativas preocupações, mas o sentir do poeta
    dançando ao som da harpa nas vibrações de
    reencontro à sua musa desenhada na cena:
    "Uma pétala encoberta pelas cascas de uma noz sobre
    uma mesa de jantar que ainda não se despojou dos
    restos da nossa última ceia."
    Com a "caixa de lápis de cor", o poeta ficará sempre
    pronto a colorir e a inscrever as suas belíssimas
    cenas a desarrumar a monocromia do mundo...

    Adorei!!
    Abraço, José Carlos.

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  4. Millôr Fernandes disse uma frase que é verdade: "O chato de envelhecer é que a gente não envelhece.".

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  5. Olá, José Carlos!

    Tudo bem? Seu dia foi bom? O meu foi excelente, em casa, sossegada, como sempre quero. O mundo k se acotovele nos shoppings e nas filas de trânsito, que eu, das minhas janelas, vejo um mundo bem diferente, o meu!

    Já li seu texto, que reflete seu estado de alma, não só do momento, mas, hoje não irei comenta-lo. Passarei depois.

    No blog da Leninha deixei amoras também pra você. Seria injusto não o fazer. Não são nem estão mto maduras, mas em perfeito estado de conservação. Creio que as degustará, com prazer. As imagine já, e me diga, me fale de suas sensações gustativas, depois.

    A primeira frase do seu texto fez-me pensar, mas eu vou condenar à Lei do Ostracismo a minha intuição. Afinal, você é escritor, poeta e "devaneios líricos" quem os não tem!

    Boa semana.

    Afetuoso abraço.

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  6. OI JOSÉ CARLOS!
    UMA DIVAGAÇÃO, NUM DAQUELES DIAS EM QUE, TEMOS DE IR, SEM SABERMOS AO CERTO PARA ONDE.
    ENVELHECER É UMA ARTE, NA QUAL NUNCA QUEREMOS SER OS PROTAGONISTAS, MAS, TODOS O SEREMOS, NUM MOMENTO QUALQUER E NEM NOS DAREMOS CONTA.
    MUITO BOM TEU TEXTO.
    ESTOU TE SEGUINDO E PRETENDO AQUI VOLTAR.
    ABRÇS
    -http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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  7. Olá, José Carlos!

    Como vai?

    Estou um pouco cansada, e hoje, ainda não me atrevo a comentar seu post. Gosto de dissecar, de sentir as palavras até à fratura exposta e de me dar naquilo que estou escrevendo.

    Com k então, estar junto, pertinho das amoras, pouco adianta. Há que sorvê-las ("guloso, glutão") até que o céu, o da sua boca, obviamente, molhe seu corpo e alma. Olhe k depois vai haver "temporal" carnal. "Tôu" avisando, você!

    Excelente noite!

    Carinhoso abraço!

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  8. Um excelente e inteligente texto, onde parece reinar a confusão, até um certo desprendimento e alheamento, mas seus olhos, humanos e sociais, não deixam escapar nada. E a crítica segue, com consciência.

    Aqui e ali, refere cenas passadas, dobras que ficaram por dobrar, e duvido que algum dia as refaça. Foi a última ceia do "mestre" com a senhora alegria enfeitada, ou talvez, "obrigada". E hoje, naquele sábado, despojado de tudo, tudinho e ainda por cima, impertinente, vestiu roupa que já não lhe assenta e o tal sapato manufaturado, k é seu amuleto.

    Nas vidraças das janelas, ainda se viam, cheiravam e sentiam aqueles toques, aqueles laivos, catadupas de chuva crua, caídas de um céu poderoso onde a vodka "iluminava e aquecia as mentes".

    Não olhe os lobos, eles nem te ligam, pke há gente que lhes interessa mto mais. Isso! vá buscar lápis de cor para retocar, desenhar arco-íris em sua vida, e talvez, quem sabe, se a linha do horizonte e o oceano se toquem, se abracem e se beijem.

    Tudo de bom, José Carlos!

    Abraço, garoto!

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  9. As cores precisam ser retocadas de vez em quando. Com o passar do tempo, perdem o brilho e como uma tatuagem gasta, precisam de um novo retoque.
    Abraços e beijos!

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  10. Martinho é um querido. Santo, pois só ele sabe como me "libertar". Não comemoro o dia dele, socialmente, pke não bebo bebida k contenha álcool, nunca bebi (eu sou tão estranha, caramba!) e a castanha não se entende com meu intestino. O que é sólido, vira gasoso, ar, e por tal facto não dá, para além de eu ser toda terrestre.
    Você sabe, conhece, decerto, a Lenda desse santo, e não é que ele me ofereceu um véu lindo de cetim vermelho. Bem, estou "enroscada" nele, no véu e me sinto tão aconchegada e amada. Veja bem! Você nunca se lembrou de um gesto desses? Pois não? Ai, Vita, Vita (significa vida em português).

    Terminou, hoje, minha Ação de Formação, e tal como disse à nossa Leninha, não fui ao jantar de encerramento e nem irei dançar. Me apetece sossego e recolhimento (influências de meu amado Martinho) e não sei se um dia desses não
    entrarei mesmo em "clausura" aí num mosteiro qualquer, preferencialmente misto (que Deus perdoe as baboseiras k estou dizendo!) . Aprendi vários conceitos, sobretudo no plano afetivo, que porei em prática com toda a gente. Tive a melhor nota da minha turma (isto não era pra dizer, mas estou tão contente, k não consegui resistir). O título e tema do meu trabalho foi "Janelas de Afetos". O k é k você acha? Me "perdi" completamente, em palavras e "pulei" a janela, esquecendo a porta do coração. Depois, eu ensino a você como se salta a "janela". Ora, pupila ensinando Mestre!

    S. José, José de Nazaré, José, o carpinteiro ou "José Carlos" são todos a mesma pessoa. Dias a ele(s) consagrados: 19 de Março, dia do Pai e 01 de Maio, dia do trabalhador. Qto ao facto de ele ter sido carpinteiro, a História é controversa, já pra não falar na versão bíblica.

    Prometido a Maria, Nossa Senhora, e antes que coabitassem, Maria apareceu grávida e José não denunciou esse facto em praça pública, mas a repudiou como mulher, pensando k tinha sido traído. "Coisas dos Josés"! Afinal, sobre ela tinha descido o Espírito Santo e ela deu à luz seu amado filho, Jesus Cristo, isenta de pecado e de mácula.
    Em sonhos, apareceu, então, um anjo a José k lhe explicou tudinho e a partir desse momento, José considerou Jesus como seu legítimo filho, deixando de existir a mais pequena dúvida em sua mente e coração sobre a pureza de sua "esposa".

    MARIA FOI, É E SERÁ SEMPRE PURA.

    Imagine você que eu apareço grávida de "um" Espírito Santo, sem haver entre nós qualquer contacto físico, e depois um qualquer José não acredita na minha versão e candura. Olhe que "trauma", o meu!

    José está sempre de olho em mim........... e nas muitas outras, eu sei, mas eu até "aconselho" ele, para "aproveitar" , mas sempre com atenção e prevenção, pke esse garoto, de santo nada tem, mas sabe mto bem escolher, pke já cresceu bastante, sobretudo interiormente, usando sempre seu sapato feito à mão, k lhe dá glamour e sorte, para além das experiências vividas e acumuladas k permitem k faça essa destrinça, de forma irrepreensível.

    Como lhe disse no anterior comentário, seus textos parecem confusos, misturados, até um pouco fictícios, mas nos mostram bem suas vivências, acho eu, direta ou indiretamente. Você até pode iludir e mentir, só k a essência está lá e eu a encontro com relativa facilidade. E o orgulho já pôs no lixo? E o bracinho? Posso pegar, posso torcer e depois comigo levar?

    Alguém, ou melhor, vários alguéns chamaram aos meus olhos "devoradores", mas tb, gente houve, uma pessoa, k os depreciou, mas em Portugal há um provérbio k diz: "quem desdenha, quer comprar", portanto, se são feios e inexpressivos, que não "comprem" e que os não olhem. Deixem pra outros! Ó Jesus, tende piedade de todos nós!

    Evidentemente que "meu" Martinho, e como é santo e bonzinho, não me afasta de ninguém, portanto, "compromisso assumido"!

    Dias e noites felizes!

    Un fuerte abrazo, guapo!

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  11. OI JOSÉ CARLOS!
    RELENDO E TE DEIXANDO MEUS VOTOS DE UM BELO DOMINGO.
    ABRÇS
    -
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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  12. Pois, eu digo que você bordou muitíssimo bem, com dedos hábeis e com linhas de seda de diversos matizes, os pensamentos que foram brotando de suas lembranças. Não, não procure a caixa de lápis de cor, suas idéias formaram um belo e já colorido arco-íris....
    Beijos, José Carlos!!!

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  13. Por vezes, o que nos rodeia é tão asfixiante que vai desbotando, passo a passo, as cores com que nos fomos construindo... Mas o seu mundo tem muita cor, José Carlos!

    Um abraço

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  14. ¡Hola, José Calos!!!

    Nos dejas un bello texto poético, hilvanando con suma constancia cada linea de tu poema, dejando salir del alma tus sentimientos dibujados y guardados, tal como ese zapato y otras cosas que se quedaron por el camino o guardadas en el albergue de tu corazón de poeta.
    No sé porque, mas siempre llevamos dentro del alma, episodios del pasado, alguno digno de un recuerdo, pero otros quizás quisiéramos olvidarlos.
    Y como broche final de veintiocho quilates, estos versos que te he copiado.

    Os lobos passeiam pela grama do meu jardim, enquanto procuro minha caixa de lápis de cor para retocar a policromia do arco-íris que está desbotando como se fosse um disfarce.

    Te dejo un aplauso prolongado, y se abre el telón de nuevo para volver a leerte.
    Fantástico poemazo, Poeta grande. Felicidades.

    Un abrazo junto a mi gratitud y mi estima.

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  15. Que ese arco iris brille en tu vida como el sol de un medio día. Te dejo mi gratitud de nuevo, Poeta.

    Se feliz.

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  16. O que eu gostei desta, a do sapato de estimação, cozido à mão. Coisa rara este cirandar no calçadão, mesmo que uma areia(zinha) venha fazer erosão na paciência do entardecer.
    Não tem problema, pois, o José Carlos senta-se um pouco, vê se amoras há nas redondezas da esplanada. Vai um suco? pergunta alguém e, enquanto isso, descalça, tira a meia branca, de algodão, e, quem sabe, uma massagem não vá facilitar a mecânica: descalça-calça-descalça-calça....
    Não interessa como fica calçado ou descalço o sapato. O que interessa é o suco.

    Li tudo o que estava por ler. Poesia com amoras, frémitos e ardores de amores.
    Magistral!

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  17. Texto maravilhoso,amigo escritor!!!!!
    reflexão pura!!!!!
    Muitas vezes nos perdemos nos pensamentos!
    Bjos,amigo
    http://www.elianedelacerda.com

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  18. Bom dia José.
    Um texto que descreveu pensamentos brotando de suas lembranças, assim eu creio que tenha sido. Escreve muito bem, logico que sabe disso rsrs. Um feliz fds. Beijos.

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  19. Bom dia, Sr. Professor!

    Como vai vossemecê, ou seja, Vossa Mercê?

    Já não se lembra de mim, suponho, mas como sou boazinha e não sou orgulhosa, até que nem vou "roubar", nem coser (é com "s", nesse contexto, caso não, teria que colocar o dito cujo numa panela para cozer ele - Palavras Homófonas. Ah, como eu gosto de ensinar, de dar "aula"! É que o pessoal está esquecido dessas "coisinhas", que já estudaram há muito e portanto, há que relembrar) seu adorado sapato manufaturado.

    Em Lisboa o sol está meio "envergonhado", uma neblina que me tira o brilho de meus olhos e uma humidade que não me agrada, de todo.
    Aí, já sei! A temperatura está acima dos 30º g e está quase todo o mundo na praia ou perto. Guarde no seu bolso, num dos seus bolsos, e por gentileza, um pouquinho dele pra mim. Metro e meio, já me basta! Merci bien!

    Bom fim de semana!

    Aquele abraço!

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  20. ¡Hola José!

    De nuevo releo tu texto que voy entendiendo un poco mejor: y si no me equivoco es una acertada y silenciosa critica... Denuncia, literaria, sobre la que estoy totalmente de acuerdo y te felicito.

    Te copio esta bonitas letras que nos hablan de una realidad que el poeta expresa con dignidad y talento.

    O ar seco, a luz crua, um estranho sentimento, um céu poderoso, a vodka dançando sobre um ataúde, e o serpenteio da serpentina no ar como a música de uma harpa, como se visse uma impossível musa, as cortinas oscilando.

    Es una bella prosa, todo el texto entero.
    Mi enhorabuena.
    Un abrazo y buen fin de semana.

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  21. Bom dia, bom dia, José Carlos!

    Como vai, garoto? Aqui, temos soleil, embora esteja frio, mas sol é sol. E aí como está o tempo? O sol já se "descarou"?

    Não sei k horas são aí, agora, pke devido à mudança da hora cá, fiquei sem saber se a diferença é de três ou quatro horas. Depois, me elucide, por favor! "Tá"?

    Há duas semanas que você não posta, "meu" querido! Claro, você sabe disso, melhor que ninguém. O trabalho profissional está em 1º (na escrita, só se deve usar números, em determinadas circunstâncias) lugar e depois a escrita de diversão e de contentamento para nós mesmos.

    Te desejo um domingo luminoso e soalheiro.

    Aquele abraço, bem demonstrativo!

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  22. Uma formidável torrente de pensamentos e sentimentos... em que só quem está dentro do convento... é que saberá, o que lá vai por dentro...
    Um manancial de cores, odores, texturas, sensações e sensibilidades... para colorir uma manhã de sábado... mais uma... cá por dentro...
    Extraordinário o texto, José Carlos!
    Abraço
    Ana

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