quinta-feira, 31 de março de 2016

Águas de março II



Antes que
ou como se ele já não estivesse
                                    em seu ofício
por não ser mais 
uma realidade em evidência
março se desassossega na parede

E os dias despencam sem cerimônia 
pela janela absorta de gerânios

Súbito 
ainda há um tempo
respira entre nuvens planas
sem me trair, sem subtrair-me 
o último dia 
que caminha para a água.

Da água em seu remanso
e não sendo ar no ar 
me pergunta da terra úmida,

ao perceber 
a menina Sofia na varanda,
que idade tem esse homem?

                                
                            (José Carlos Sant Anna)


13 comentários:

  1. Interrogação em imaginário poético. Gostei muito dessa divagação pelo mês de Março.
    .
    Deixo cumprimentos

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  2. Ainda sem ler o Águas de Março I, deleito-me aqui com o II, achando que vc está cada dia mais inspirado, meu amigo!
    Que riqueza nesses versos dos dias despencados de março... com eles despencam nossos dias tb, mas que devem ser motivo de esperança, sempre.
    A idade do homnem é a que tem seu coração... se ama, será sempre jovem :)
    Beijos

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  3. Meu amigo,

    Vejo a beleza, a originalidade e a Filosofia nos
    teus versos etéreos, ao toque da água (emoção) e
    no balé (pensamentos) no ar da mente, que viaja
    pelas construções do Poeta.
    Simplesmente, adoro (sempre) a tua Poética!!
    Afetuoso Abraço!

    Ps:Enquanto estava aqui no teu espaço, recebo aviso,
    tu lá no meu espaço...rss

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  4. venho a registar que vc é um escritor talentoso e um poeta inspirado.
    razão bastante para lhe solicitar autorização para frequentar o seu blog.

    cumprimentos

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  5. ¡Hola, José Carlos!!!

    Me encantan estos versos que parece cantan a esos días que despejan sin más ceremonia entre marzo y abril que todo florece siendo ya primavera que nos invita a escribir bellos poemas como este tuyo.

    Y cuando aparece la chiquita en la baranda... Es que somos unos abuelos fantásticos.

    Ha sido un placer,y no deseo perderte de vista.
    Te dejo un beso, mi gran estima y gratitud..
    Se muy muy feliz.

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  6. Que idade tem esse homem...?
    Esse homem terá a idade dos que não têm idade; a idade dos poetas. Embora vendo os dias de Março,(calendário), e os dele, inevitavelmente a despencar-se, existe um desejo de água e de terra húmida, um desejo de vida e de uma perene juventude e permanência.
    Achei este poema super difícil de comentar! :-) E tenho de voltar para relê-lo, porque já é muito tarde por aqui.
    xx

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  7. Gostei desse Março desassossegado e da curiosidade da "menina Sofia"... Um belo poema.
    Beijo.

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  8. Gostei do desassossego de março que foi-se! Outro e mais outro hão de vir. E haverão mais desassossegos...
    bjus!

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  9. Gostei de todo o poema. E o final é de Mestre...
    Excelente, como sempre.
    Bom resto de semana, caro amigo José Carlos.
    Abraço.

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  10. Un mes para escribir poesía, el de marzo.

    Me encantó el poema.

    Un beso.

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  11. Belíssimas palavras, para assinalar o final deste mês... que já se diluiu na pressa dos dias...
    Mais um encantador momento de inspiração, que por aqui, me é dado apreciar!...
    Um grande abraço! Continuação de uma boa semana!
    Ana

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  12. Uma visita encantadora. A valsa colocou toda uma poesia na história do barquinho que ruma ao luar ao sabor do sopro.
    Tenha um fim de semana encantadoramente feliz, amigo :)

    Beijos

    http://odiariodaescrava.blogspot.com.br/

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  13. Meu caro, superlativo é este.
    Águas de Março têm praia. E há poesia no último dia, pelo menos, nos outros - despencados "pela janela absorta de gerânios"- não disse o poeta. Vermelhos, aposto, os gerânios, pelos vistos, da Sofia. Que admiração tola, a observação: um homem não faz idade perante uma flor: jardina a poesia.

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