domingo, 5 de junho de 2016

À moda de portugueses




Cravadas neste deserto
desde sempre serão belas
em suas cores eternas

o silêncio nos impele
ao equilíbrio destas flores
cores por dentro das pedras. 

Dançam em luas de sol
em seus contornos irreais
em seus mantos de rainhas

e toda a gente em fila
a meditar de haver vida
teimosa a enfeitar o nada 

(José Carlos Sant Anna)

17 comentários:

  1. entre a
    folha
    e a
    raiz

    [contém 1 beijo]

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  2. Olá José Carlos!
    Somos do fado, dessa musica que nos invade a alma. Porém, não somos tristes como muitos pensam. Somos saudosistas porque o ontem foi bom e o agora... nem tanto.
    Beijos!

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  3. Un placer siempre leerte Jose Carlos.

    Un beso y feliz día.

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  4. Tão lindo esse conjunto versos/música que acabam emocionando.
    Vc sempre extrapola o belo, meu amigo.
    Para vc uma semana de alegrias, luz, paz e amor.

    Beijos



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  5. é pouco embaraçoso comentar teu belo poema, ditado sem dúvida por afecto aos portugueses e Portugal

    confesso porém que não me revejo nesse "nada, que é tudo"
    nem "sou do fado", lamento.

    em matéria de Portugal prefiro o Padre António Vieira (mais que Pessoa) que cito: "Dizem que temos valor (os portugueses), mas que nos falta dinheiro e união; e todos nos prognosticam os fados que, naturalmente, se seguem destas infelizes premissas"...

    fraternal abraço

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  6. E, como há vida! Quiçá, escondida.
    Mas, brota!
    Apesar dos desertos.
    Apesar dos silêncios.
    Nas frestas das pedras, ou dentro delas, também respira.
    Surge! Enfeitando os jardins da alma.

    O leitor ousa e desafia, mas a essência, é o poeta que cria.

    Um abraço.

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  7. “E uma voz me canta assim baixinho
    E uma voz me encanta assim baixinho”
    Que bela intérprete a Ana Moura, dona de uma voz iluminada! E que pessoa mais linda!
    Meu amigo, gosto do fado, identifico-me com este estilo musical onde a dolência, o cantar triste a exortar saudades, faz a nossa alma mergulhar por vezes numa nostalgia sem fim.
    É interessante fazer esta descoberta:
    “O Fado nasceu um dia,
    quando o vento mal bulia
    e o céu o mar prolongava,
    na amurada dum veleiro,
    no peito dum marinheiro
    que, estando triste, cantava,
    que, estando triste, cantava”
    E quem nos diz isto é a mais famosa fadista de Portugal, Amália Rodrigues, numa bela interpretação da canção Fado Português.
    E depois da linda Ana Moura a cantar com ternura Sou do Fado, o nosso olhar pousa no teu poema onde ficas a descobrir as “cores por dentro das pedras” e a nos dizer que mesmo cravadas no deserto as flores “serão belas em suas cores eternas”. E mesmo vendo a dança “em luas de sol em seus contornos irreais em seus mantos de rainhas” e ainda que sabendo que “toda a gente em fila” está a “meditar de haver vida teimosa a enfeitar o nada”, ainda assim, poeta, tu bem sabes que a vida está a brotar no riso, na dor, no canto, na poesia, na promessa, na esperança... Na alma enfim, de um povo que grita a liberdade desde que seus exploradores e navegadores viajaram pelo mundo inteiro a descobrir e desbravar novas terras. E todos nós sabemos, meu poeta querido, que a sua gente, mesmo numa existência singela, ao receber um visitante tem sempre “amor, pão e vinho e um caldo verde, verdinho, a fumegar na tigela”.
    Desculpe, meu amigo, se me intrometi na tua postagem de hoje, mas como bem sei da admiração que tens pelo povo português e da consideração por muitos amigos blogueiros daquele país/irmão, ousei passear ousadamente nos teus versos.
    Para me redimir deste pecado, deixo-te um punhado de sorrisos e um montão de estrelas para enfeitar e iluminar os sonhos que porventura hoje estiverem a povoar a tua mente num gostoso sonho.
    Meu carinho de sempre,
    Leninha

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  8. Peguei carona com o vento e vim aqui soprar-lhe um beijo.
    Uma linda e inspiradora quinta-feira para vc, amigo

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  9. Correção: ao invés de "ousei passear ousadamente" leia-se: ousei passear divertidamente..."
    Que horrível pleonasmo... (risos).

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  10. Que bom retornar aos bons!
    O fado é para os portugueses o que o samba é para nós ! e juntos temos um certo ar romântico e uma alegria incontida.
    Soubestes bem dosar seu poema no modo dos adjetivos.
    Abraços com saudade JC

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  11. Um poema excelente, amigo. "Cores por dentro das pedras". O deserto e o silêncio a fazerem-se sede em nossos olhos.
    Ana Moura é excelente.
    Beijos.

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  12. José Carlos,
    Primeiro falemos de Ana Moura. É uma fadista excepcional, dela tenho alguns CDs, e tenho visto alguns de seus excelentes shows, via YouTube.
    Passando para o seu trabalho, só posso dizer que é um belo poema. Gostei muito. Parabéns.
    Um abraço.

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  13. Um excelente poema, caro amigo, bem acompanhado pela Ana Moura.
    Caro amigo José Carlos, tem um bom resto de semana.
    Abraço.

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  14. Casamento lindo do seu poema com o vídeo de Ana Moura!
    Parabéns José Carlos!
    Bjs. Uma ótima semana.

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  15. E as flores mais belas... serão aquelas que irrompem por entre as pedras... fazendo de um deserto de pedra... um pequeno jardim... mostrando-nos que não há impossíveis... e que se floresce, quando se quer... em qualquer lugar...
    Um belo poema, que nos mostra isso mesmo...
    E uma escolha musical... que adoro! Ana Moura, é uma das minhas interpretes preferidas da actualidade... com o seu timbre único e inconfundível...
    Abraço, José Carlos! Bom fim de semana!
    Ana

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  16. Como portuguesa, o meu abraço grato !

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  17. Caro José,

    Este seu poema foi lido no InVersos.

    Pode encontrar a leitura aqui:

    https://invers0s.wordpress.com/2016/08/27/inversos-jose-carlos-sant-anna-a-moda-de-portugueses/

    Cumprimentos,
    Rui Diniz
    InVersos

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