terça-feira, 5 de julho de 2016

Cena 46



Um tiro no escuro. 

Nas mãos 
um taco de linhas 
curvas 
para sinuosas tacadas 

e o ofício penoso 
de enfileirar, uma a uma, 
as bolas na boca da caçapa, 

endireitando-as 
para que, 
em ondas de volúpia, 
deslizem sobre o pano verde 
em êxtase 

dardejando ávidas 
entre a luz e a sombra 

como um beijo roubado 
em areias tórridas 

ou 
como corpos 
em vertiginosos fios de luz 

ou
acolhendo 
a imprecisão das palavras, 
fluidas, 
náufragas, 

crepitando em ondas 
como se um oceano fossem 
e que 

alforriassem a identidade 
dos dias 
desencontrados 

antes de engolfar 
em madrugada cúmplice
o teu Mimo de Vênus. 

(José Carlos Sant Anna)

10 comentários:

  1. Os meus aplausos para este teu excelente poema.
    Parabéns pelo talento que tão bem colocaste nas palavras.
    José Carlos, tem um bom resto de semana.
    Abraço.

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  2. Belíssimo poema, dedilhado na ternura e sensualidade
    das palavras em ondas crescentes de vida.
    Luz e sombra permeiam o poema numa simbologia
    na dinâmica da pulsão da vida!...

    A escolha da música não poderia ser outra.
    Maravilhoso músico, som divino e que
    bom gosto musical, José Carlos.
    Abraço.

    Ps: Grata pela tua presença alto astral
    no meu espaço e tua leitura tão atenciosa.

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  3. Mais uma vez encantando.
    Amigo, passando só para dizer que não sumi. Estou apenas passando por um momento complicado mas esperando que, como tudo, ele passe.
    Vim deixar um beijo e dizer que estou com saudades e que espero voltar em breve. Não me esqueça.

    Beijos

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  4. Um tiro, que mesmo no escuro, acertou o alvo.
    A escolha musical também não podia ser mais perfeita.

    Um beijinho grato

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  5. Aqui nunca se erra a tacada.
    Belíssimo poema, José Carlos.

    Beijinho.

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  6. Com o imaginário do bilhar, este excelente poema leva-nos o pensamento para outros jogos de sensualidade e encantamento.
    Maravilhoso!
    Um beijo.

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  7. Estratégias do jogo de bilhar numa analogia perfeita às estratégias e tácticas a que deverão obedecer os jogos amorosos... para que não se falhem jogadas nas madrugadas cúmplices, onde vence o amor...
    Mais uma belíssima escolha musical, tal como a do post anterior... que não conhecia... e que me encantou...
    Mais um post excepcional, por aqui, que tive o privilégio de apreciar, José Carlos!
    Abraço! Boa semana!
    Ana

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  8. O Bilhar é um jogo estratégico e requer habilidade.
    Nas mãos do poeta, encanta.
    Nas mãos erradas, pode ser uma "sinuca de bico".
    Abraços poeta.

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  9. Caro José Carlos,
    Nesse dia você acordou com o pé direito, resolveu escrever um poema, foi ao computador e, de repente os versos começaram a sair naturalmente, escritos por dedos que se moviam sozinhos, e quando o poeta fixou seu olhar na tela ali estava um poema da melhor qualidade. Parabéns, amigo.
    Um abraço.

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  10. Duas vezes comentei este poema, duas vezes em vão.
    Acrescento apenas, com a fé, que desta vez chegue a bom porto:
    Exímia encenação do poeta, ilusão e tensão, até à resolução final.

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