segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

O neon do presídio de Manaus

Familiares de detentos do Presídio de Manaus se aglomeram
 em frente ao Instituto Médico Legal - Foto O Globo



A ânsia, a falta de oxigênio, o sol esquivo 
e o napalm correndo à solta em Manaus.
Dizem que são mais de 60 presuntos.
Relâmpagos súbitos dos berros escondidos
e das bicudas cravadas nos corpos nus.
Foram muitos os que não tiveram tempo 
de pular fora do trem e fugir por alguma tereza.
E agora nada existe além desse Vietnam
roendo as paredes do corpo do secretário
da segurança pública que sucumbe 
pleno de gestos vazios antes de gastar 
o seu latim, oprimido nos seus lençóis 
por ter perdido a hora do tim-tim do réveillon,
e sabendo como é duro ficar frio nessa hora. 

(José Carlos Sant Anna)

7 comentários:

  1. Um lamentável, triste... e se calhar... mais tarde ou mais cedo... inevitável acontecimento...
    As prisões estão sempre abarrotando... sem qualquer espécie de condições... inspirando ressentimentos e revolta muitas das vezes...
    Um grande abraço, José Carlos! Desejando-lhe um bom ano, apesar de tudo... e muitos melhores políticos e bom senso, que tanto carecem no seu Brasil... e de uma forma geral por todo o mundo... mas duvido... a avaliar pelos resultados eleitorais dos Estates... não sei mesmo, onde irá parar toda esta loucura colectiva...
    Resta-nos a fé, de que melhores dias cheguem... um dia...
    Um grande abraço!
    Ana

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  2. Nunca vi coisas tão horríveis numa cadeia.
    Há que repensar no que fazer às pessoas que cometem crimes menores e que não constituem perigo para a população, de modo a aliviar a quantidade de gente pesa.
    Um magnífico poema e bem oportuno.
    Bom resto de semana, caro amigo José Carlos.
    Um abraço.

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  3. Pois é, José Carlos, esses tantos corpos destruídos em Manaus lembram o napalm, o Vietnã, e tantas guerras, o holocausto também; e, como se isso fosse pouco, hoje apareceram mais 33 corpos dilacerados em outro presídio, em Roraima, também no norte do nosso país.
    Grande abraço.
    Pedro.

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  4. Pois é, José Carlos, com isso tudo parece que estamos em guerra, meu amigo: no norte, no sul...em todos os cantos é espantosa a violência, e as coisas continuam...o que é mais assombroso.
    Beijo, amigo.

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  5. Sim, meu amigo, por todo o lado rebentam Vietnames.
    a violência destrutiva entrou na História - agora caprichosa e sem "rosto" visível

    o poema é impotente para ser arma. mas pode e deve ser denúncia. como tu bem sabes e colocas em tua palavra poética

    caloroso abraço, Poeta

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  6. A prova de que o sistema prisional está errado está aí. Para que serve se não recupera o homem que há no condenado? E se a justiça não tem força para decapitar as organizações criminosas que infernizam as sociedades actuais como acabar com o tormento?
    Contudo, o poeta não dorme.
    Abraço, amigo.

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  7. Belíssimo poema! Parabéns! Mas a lotação carcerária no Brasil, é algo lamentável. É um flagelo realmente. E o pior é que alimenta a revolta e o banditismo - pois dão ordens de dentro das cadeias. Grande abraço. Laerte.

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