terça-feira, 9 de maio de 2017

No bolso



Trago o bolso cheio dos sonhos
que não ficaram pelo caminho,
do sol velado na outra margem 
do mar atrás das coisas eternas,

e do vento da tarde sacudindo 
as árvores, e das noites de luar,
e das palavras de mãos dadas
com a poesia reinventando

o leite derramado na sintaxe
cifrada das mensagens nas
garrafas, perdidas nos mares

de outrora, e na invenção 
de mapas e enredos para ilhas
que recomponho lentamente. 

               (José Carlos Sant Anna)