Foto: arquivo pessoal
I.
pelo
avesso
o
verso veleja veredas
a
rota e o chão
das
palavras enfunam
os panos
de fundo dos dilemas,
a
boca do mar
engolfa a fome do poema
e as gaivotas abocanham
no voo este teorema
II
o
poema é uma chuva
movediça
que
se escreve
para
quem não se diz
enunciado
desdobra-se
claro-escuro
decompondo
o
silêncio da ponta da língua...
III
do lado de dentro
do fado
o verbo exilado
desafia o olho mágico
na jurisdição
do seu espaço.
Só faz sentido:
acordo em sustenido
dizendo-lhe no ouvido
dezenas de bemóis.
dezenas de bemóis.
(José Carlos Sant Anna)

Que mente criativa!!! Muito bonito, José Carlos!É para ler e reler, e cada vez se descobre novos acordes (estudei piano, rss).
ResponderExcluirOlha só...
Só faz sentido:
acordo em sustenido
dizendo-lhe no ouvido
dezenas de bemóis.
bjs, meu amigo, ótima semana!
O poema a velejar veredas. A ser chuva movediça. A exilar o verbo. Palavras que demorei a ler e me deixaram um raro desejo de alcançar toda a musicalidade dos seus versos.
ResponderExcluirUm beijo.
Gostei dos "três andamentos" do seu excelente poema.
ResponderExcluirE os bemóis são um grande final...
Bom fim de semana, caro José Carlos.
Abraço.
um poema em acordes
ResponderExcluire a chuva a germinar metáforas
e no final
dezenas de bemóis
muita criatividade para um só poema
beijinho
:)
No teu trato, em três actos, não vejo tráfico comercial, vejo a avidez dos sons que se libertam dos teus versos únicos de palavras.
ResponderExcluirAbraço.