quinta-feira, 29 de junho de 2017

Lavoura



essa teia de raízes dos velhos troncos
atravessa 
minha voz meu corpo minha nudez
e, em alguma folha nova, vagarosa, 
esculpe brisa imóvel, pulsação serena, 
antes que tudo sutilmente volte ao pó, 
memória exata da casa aberta, 
quando se encantam no suave pingar 
das horas os meus ouvidos de poeta. 


(José Carlos Sant Anna)


8 comentários:

  1. Báh, belíssimo Nocturnes Op 9 de Chopin, escutava todos os dias quando estava grávida de minha primeira filha. E teu poema muito lindo, um casamento perfeito. Bela escolha.
    Beijo, meu amigo! Um bom fim de semana!

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  2. Há sons que ficam na memória dos gestos e se fazem um silêncio que só o poeta escuta...
    Belíssimo e delicado poema, meu Amigo.
    Um beijo.

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  3. Ser pó é mesmo o nosso último destino.
    Até lá, ouvir Chopin é uma boa ideia, para além de muitas coisas boas que podemos ter e sentir, nomeadamente poesia, que é para comer, como dizia a saudosa Natália Correia.
    Magnífico poema, gostei imenso.
    José Carlos, um bom fim de semana.
    Abraço.

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  4. olá, José Carlos!
    O poeta encontra sempre inspiração, seja na musica e noutra coisa qualquer. É preciso estar atento e não deixar que as raízes nos impeçam de voar mais alto. Tão alto quanto os nossos sonhos possam alcançar.
    Beijos

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  5. há sons que só mesmo um Poeta sabe ouvir
    no sublime acto de escutar
    e saborear...

    beijinhos

    um bom domingo

    :)

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  6. Passei para ver as novidades.
    Mas gostei de reler o magnífico poema.
    Bom resto de semana.
    Abraço.

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  7. Uma maravilha esta cumplicidade
    que (con)funde dedos-raízes
    no modular-penetrar a intimidade
    do som-poema que tão bem dizes...

    E eu na preguiça das marés
    esperando-as vivas ao invés.

    Abraço.

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