segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Água doce no outono


No quarto o coro das máscaras o jogo de xadrez e a chave da tarde no meu bolso Ela apenas de shortinho jeans blusa de malha e os faróis acesos Cena de cinema com uma lua em quarto crescente No acaso das coisas me fiz pássaro E nos seus braços súbitas janelas se abrem sem que eu revele a ligeireza das minhas asas E mãos e boca E a palavra ascende Sei este é o caminho A proa que desliza fugindo do sequestro iminente Quando a procurei minha Isolda cor de romã você me disse Você é a minhoca que faltava no meu anzol é o pão com sabor de arrefecido verão mas não vale o til da minha maçã Com o corpo mordendo disse-lhe que estava germinando a água do meu corpo e que eu borbulharia antes de morrer morrer morrer Você riu porque não sabia que os brutos também sonham geografias e os muros estremecem à sombra de um mito grego. Aqueles faróis são o bosque mais secreto revelado E por que sem nenhuma roupa não A transparência da malha não é uma conjugação de vogais porque me ardo em consoantes Tocar a luz mortal na sombra do muro escuro nas suas entranhas nas suas raízes mais fundas é desvario Ter o seu corpo duplicado através do espelho em que me ardo enquanto ainda sou um cálido tronco de água é devaneio Que me dirás você pergunta Pelo olhar as palavras falam É da sua luz São os seus faróis Parecem flor de centeio Como se não houvessem as palavras iluminadas na maciez do seu corpo soletro seu nome na canção da sua pele de pelúcia macia Estas mãos que ainda buscam o bafo da terra a qualquer momento raptam a sua nudez sonhada antes que eu possa começar tudo de novo Longínqua perscruto a música do mar ávido de ilustrações para esta tarde que azula atrás do morro.

(José Carlos Sant Anna)


12 comentários:

  1. ¡Hola José!

    Bellísima prosa poética y amorosa que es un placer leerla, está plagada de bellas metáfora sobre la mirada del hombre a la mujer y algo más... Las manos siempre saben a la perfección donde buscar. Y, ya sabes, el que busca encuentra. Te deseo lo mejor te lo mereces, buen hombre.

    Ha sido un inmenso placer pasar a leerte.
    Te dejo un beso, mi gratitud y mi gran estima.

    Se muy -muy feliz.

    Ah, solo una cosa, si te apetece, tráete mi regalo y lo pones aquí a la derecha, seguro que queda bien. Gracias de antemano.

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  2. Boa noite José Carlos!
    Fiquei um pouquinho ausente mais já estou aqui de volta.
    Um texto maravilhoso que me tirou alguns risos... da minhoca que faltava no anzol...
    Você tem uma forma espetacular e criativa de construir cada texto. Excelente comediante.
    Gostei muito do vídeo, o músico do acordeão é muito bom. Deu um show.
    Continuação de boa semana!
    Beijo!

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  3. ¿Hola José, gracias por tu huella: mas no has traído las dos rosas con un haiku escrito? No te gastan... O no te apetece, solo es copiar y pegar... También puedes ponerla en el facebook en tu muro. Y si no, nada pasa seguimos tan “amigos" Un beso.

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  4. Delicioso de se ler. Muito original e criativa essa quase ausência de pontuação, mas que se percebe lindamente.

    Abraços.

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  5. Eu posso lhe dizer, meu amigo, que um texto seu; sendo
    poesia, prosa, conto, crônica, nos permite sempre mergulhar
    na arte literária. Você é um escritor que encanta e surpreende.
    Tem alguns mestres da alta literatura, que afirmam que o
    escritor é aquele que vai além da recriação da realidade,
    ele escreve originalmente uma narrativa, que nos convida
    a fazer parte de um universo completamente novo com o
    caminhar das palavras.
    Sinto assim, quando mergulho neste seu universo narrativo.
    Este começo sensacional metaforicamente:
    "No quarto o coro das máscaras o jogo de xadrez e
    a chave da tarde no meu bolso"
    Sem falar do seu senso de humor, que é também muito
    original, pois é despretensioso e naturalmente
    nos coloca um sorriso, alternando com o encanto
    em relação as belas construções poéticas...
    Adoro a leitura aqui!!!!
    Beijos, amigo.

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  6. Meu caro José Carlos,

    você "pirou" mesmo? é que, meu amigo, você corre o risco de ficar eternamente azulado, "atrás do morro"! ou, mais grave ainda, ficar a "arder eternamente em consoantes".

    acredite, meu amigo não se atreva, nunca, mas nunca mesmo, a "perscrutar a música do mar ávido de ilustrações". Jamais!

    saborosíssimo texto!

    forte abraço

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  7. ¡Gracias José-Carlos!

    ¡Gracias José-Carlos!

    ¡Que bien que la ha traído y como luce, eh! ¡Perdona mi insistencia, soy una terca! Pero es un recuerdo de mi humilde espacio. Así cuando yo falte, no me olvidareis tal fácil.
    Gracia mil, un beso.

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  8. Um texto magnífico, como já vem sendo hábito.
    Como disse Maria Zambrano: salvar as palavras da sua momentaneidade, do seu ser transitório e conduzi-las rumo ao perdurável, é o ofício de quem escreve. É o seu ofício, meu Amigo. É um gosto lê-lo.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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  9. SALUDOS
    gracias por pasar a mi blog, bueno y descubro este nuevo.
    La traducción no me ayuda mucho, pero de a poco iré comprendiendo estas palabras.

    atte.

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  10. Oi, José Carlos, sejam seus ótimos poemas ou prosas poéticas, um conto como esse, que volto a dizer que você domina tudo com classe, e com muita criatividade. Já formou há anos seu estilo, e só lhe digo que gosto muito de vir aqui, de ler José Carlos Sant Anna!

    "No acaso das coisas me fiz pássaro E nos seus braços súbitas janelas se abrem sem que eu revele a ligeireza das minhas asas".

    Beijo, amigo, uma feliz semana!

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  11. Um texto debruado a metáforas e ornamentado com vocabulário rico e bem semeado, que nos leva a devanear no mesmo e a sorrir com algum humor à mistura.
    Como sempre uma maneira única e bonita de escrever.
    Bejinhos
    :)

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  12. Um texto arrebatador e delicioso... para saborear em cada palavra!... Gostei imenso, José Carlos!
    Um grande abraço!
    Ana

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