a esponja não apaga:
o filão de brancura
o fardo dos olhos,
a dor animal
sem a pomba de volta
a esponja não apaga:
a hora diluviana
o órfão maltrapilho
a mata de musgos
o peso do fogo
onde tudo é carência,
não se apagam os vários acontecimentos
perdidos nas minhas retinas
onde nada morre
signos amorfos,
anti-mofo de um minuto atrás,
o fardo dos olhos,
a dor animal
sem a pomba de volta
a esponja não apaga:
a hora diluviana
o órfão maltrapilho
a mata de musgos
o peso do fogo
onde tudo é carência,
não se apagam os vários acontecimentos
perdidos nas minhas retinas
onde nada morre
signos amorfos,
anti-mofo de um minuto atrás,
renegando este testemunho
nada escapa
agora
aos dedos vorazes,
e o lápis traz o imaginário
tecido por fios de raio laser,
cópia blasé de uma sintaxe enfurecida
que um gramático em férias
engendrou no cafè au printemps.
Talvez nem isso,
mas,
quando o meu ego
em piração fenomenal
do vazio da noite
no bazar do meu inconsciente,
descobriu
um empedernido ator chinês
investindo ações em enredos
para uma escola de samba
dos arredores de paris
tudo mudou
ou o mundo desabava no solar do unhão
em pânico,
que é como eu me sentiria
ao escrever
as pequenas histórias dos heróis,
que não seriam senão clichês do bas-fond
de enredos medíocres,
se a tpm de alzirinha, prá lá de esquisita,
não se embarafustasse
pelos meus sentidos nos happy hours,
quando não há outro lugar
aonde ir
depois de um carrilhão de nuvens.
aonde ir
depois de um carrilhão de nuvens.
à sombra da fina flor,
escuro desenho,
o meu desejo soletrava
as rasuras da voz de adriana calcanhoto
pelas avenidas e pelos tiranos becos
de feitio romântico da velha salvador.
(José Carlos Sant Anna)
(José Carlos Sant Anna)
Tantas dores!
ResponderExcluirPrecisamos da Pomba de volta.
Bom fim-de-semana, amigo!
Oiii, adorei a sua visita! Gostei muito desta letra, reflete um desejo e a um mundo tão intimo!
ResponderExcluirVolte sempre, adorarei recebê-lo!
Um grande beijo!
Olá José Carlos!
ResponderExcluirSe tudo é carência, aqui vão os meus beijos para amenizar tanto sofrimento.
Beijos
Poema que vai ao osso, numa inquietação fina e magoada!
ResponderExcluirpressente-se nessas hábeis figuras de estilo, onde pretendes "esconder" o "demasiado humano" poeta.
mas não tens safa possível - és um poeta engajado!
e como não ser, se o Mundo desaba?!...
caloroso abraço, caríssimo José Carlos
Tem vidas tão cheias de carência e amargura... que jamais conseguirão ser lavadas... e levadas da alma...
ResponderExcluirE no entanto... no meio de tanta carência e amargura... tem momentos de felicidade... que sabem a horas de felicidade... e que valem por uma vida...
Pode haver um carrilhão de nuvens lá fora... mas de quando em vez... ainda se espreita o céu...
Um poema belíssimo, José Carlos, que capta tanto da essência humana... dos mal tratados pela vida... e que como diz o Manuel... nos vai ao osso!...
Beijinho! Bom domingo!
Ana
O poema se oferece como avenida da excelência do poeta,
ResponderExcluirque dança nos signos das palavras, a esvaziar os lugares
ocupados do vazio que vem de dentro, a voz da Adriana
Calcanhoto o conduz ao sentir tão pleno
de si mesmo!...
A excelente poesia tem esta força de cada um ler no
seu próprio caminho, o sentido de dentro.
Beijos, José Carlos.
Entristece esse teu poema, meu amigo. Achamos já normal tantas carências, tanto sofrimento espalhado entre os velhos trapos; tanto som de agonia, tanta súplica... e para muitos nada se mexe. Será que ficamos imune à qualquer dor ou lamento? Acostumamos? Lindo teu poema, grande tua sensibilidade.
ResponderExcluira esponja não apaga:
o filão de brancura
o fardo dos olhos,
a dor animal
Beijo, meu amigo, um tranquilo domingo.
Nada apaga aquilo que nos inquieta o olhar e o coração. Nenhum nome serve para dizer a vertigem que é a vida tão cheia e tão vazia de emoções...
ResponderExcluirUm poema fantástico na sua densidade poética, que li e reli...
Gostei muito.
Uma boa semana.
Um beijo.
Já tinha lido e relido, saí sem palavras para comentar.
ResponderExcluirTanta dor, tanta mágoa que me angustia ler.
No entanto entre tanta dor um poema muito bom na sua nostalgia.
Boa semana
Abraço com beijo dentro
:)
Palavras maravilhosas.
ResponderExcluirAh, a velha Salvador!!
ResponderExcluirQue sonho!!!
Quero por ir lá
e de lá
Ler esta tua poesia!!!
abraço
Lola
Boa noite José Carlos!
ResponderExcluirTão bonito seu poema meu amigo. Lindamente construído.
O vídeo é maravilhoso. Simplesmente mágico esse arranjo musical.
Continuação de boa semana!
Um beijo e um sorriso!
No final de semana deve ter atualização por lá.
Tenho ideia de ter comentado.
ResponderExcluirBFS
Passando a deixar um beijinho, e votos de um feliz fim de semana...
ResponderExcluirAna