sexta-feira, 2 de março de 2018

UTOPIAS III


                                    Para Piedade Araújo Sol

Pergaminhos de silêncio
de uma pedra tocada
por minhas mãos
resgatam o exílio das palavras
sem resquício de dor.

E, ao tatear as paredes 
da antiga reclusão,

não se pode saber
quanto este testemunho 
no mais fundo da medula da terra
estilhaça sob os meus dedos.

Pedaços de tijolos palmilhados, 
em liça se rasgam
na falta de um destinatário,

e o olho drena palavras 
renegadas 
de onde escapa a minha voz.

(José Carlos Sant Anna)



17 comentários:

  1. Boa noite José Carlos.
    Desculpa a ausência por aqui. Andei numa pausa mais prolongada, mas já voltei.
    Um poema lindamente escrito, pra uma grande poetisa. Piedade Araújo é brilhante na escrita.
    Abração, e boa semana.

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  2. Que linda homenagem para uma amiga tão querida, tão doce!
    Belo e intenso poema, meu amigo!
    Beijo, uma feliz semana pra você.

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  3. E a minha voz também escapa. O meu silêncio não resgata "os asilos do silêncio". E a si, meu Amigo, não lhe faltou um destinatário. É um poema muito belo que me emocionou e que gostei de o ver dedicado à Piedade Araújo Sol.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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  4. JCarlos
    emocionada fiquei com esta homenagem de que não estava à espera.
    e nos silêncios (também se consegue estilhaçar as palavras.)
    gostei muito do poema.
    gratíssima!
    boa semana!
    beijinhos
    :)

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  5. Inspiração aguçada derramando sensibilidade. Uma homenagem elegante para a dama da poesia, bem merecida.
    Boa noite!

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  6. Pois é, meu caro José Carlos,

    há muitas dores saradas e muitos caminhos dobrados nesses "pergaminhos de silêncios" que são "exílio das palavras"!

    e tantas vezes as palavras que renegamos são aquelas que nos salvam... cada vez mais depuradas e (im) perfeitas!

    nível de excelência teu poema, meu amigo.

    forte abraço

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  7. Sublime o pergaminho e a melodia que o percorre.

    É um poema vem da profundidade do ser e levita até se entregar.

    Fascinantes utopias nas dobras do dia!

    Parabéns ao poeta e à musa que o inspirou.
    Beijinhos

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  8. Que música maravilhosa, assim, apenas instrumental, ou cantada pelo Yves Montand, Andrea Botelli... Fantástica.
    Beijo, José Carlos, e uma ótima semana.

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  9. Gostei muito deste seu poema, amigo José Carlos, que foi dedicado à nossa amiga portuguesa, Piedade Araújo Sol, uma talentosa poetisa. Parabéns.
    Um grande abraço.
    Pedro

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  10. bonito gesto e dedicatória, beijinho!

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  11. Mesmo no silêncio, a voz "fala"...
    Um poema brilhante e dedicado a uma poetisa talentosa como é a Piedade Araújo Sol.
    Obrigada pela visita... Espero que volte...
    Beijos e abraços
    Marta

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  12. Sendo hoje DIA INTERNACIONAL DA MULHER, NADA ME IMPEDE DE DIZER QUE: "" Cada mulher que nasce é uma Estrela que brilha na Terra "" ...... O seu POEMA é de uma doçura maravilhosa.
    .
    * (Poetizando e Encantando) MULHER ... O Equilíbrio da Vida *
    .
    Votos de um dia feliz

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  13. Olá José Carlos!
    Não sei quem é a Piedade em todas nós existem palavras não ditas mas mostradas com um simples olhar. Parabéns!
    Beijos

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  14. O caminho das palavras que pousam
    no silêncio e as pedras no signo
    do sentir profundo, ecoam na alma
    a trazer a voz. ..
    Amigo, a tua bela voz poética em
    harmonia com admirável inspirada
    poética da Piedade Sol, que
    lindamente foi dedicado o poema.
    Votos de um final de semana
    alto astral, caro amigo!
    Beijo.

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  15. Volto depois com mais tempo e calma
    para comentar o poema no post atual.
    Aprecio sempre a tua poética, meu
    amigo! !

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  16. Muito bom. Bela dedicatória à amiga Pi.
    Parabéns!

    Beijos.

    Bom fim-de-semana!

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  17. Mais uma belíssima interpretação, que foi um verdadeiro prazer, descobrir por aqui... E uma magnifica homenagem para a Piedade Sol... cujos seus trabalhos poéticos e fotográficos, muito admiro!...
    Adorei estas palavras inspiradíssimas... que se facto, saem da medula do poeta... e mostram a construção, de que é feito... tal como a sua voz...
    Belíssimo trabalho poético, José Carlos!
    Beijinho
    Ana

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