quinta-feira, 8 de março de 2018

Utopias IV




Subterrânea,
na poeira da infância
a onda renasce

nas águas do meu corpo
com cheiro de bombom de menta
sem que eu saiba o que fazer...

E, no entanto, impetuosas e lisas,
as palavras se levantam.

E uma voz 
que me fala de pequenos desvelos,
e um vento que desnuda cada coisa
como se fosse a última
descem pela raiz do meu sangue.

E nada mais me surpreende
no ar limpo da manhã
que alveja
este dia em que uma borboleta,
mais além, esvoaça

em espirais azuis a dizer palavras
que me enternecem ao ouvi-las.

(José Carlos Sant Anna)





12 comentários:

  1. Boa noite José Carlos!
    Excelente vídeo. Uma performance poderosa dessas quatro deusa negra. Uma bela homenagem a mulher de cor. Bonita interpretação!
    Gostei muitíssimo do poema!
    Boa semana!
    Um abraço!

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  2. Um poema com memórias da infância, e das palavras maternas, e da inocência, e das manhãs claras... Magnífico!
    Uma boa semana, meu Amigo.
    Um beijo.

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  3. a surfar na onda "que renasce" até à raiz da ternura.

    grande estatura de Poeta, meu amigo!
    chapeau!...

    ("Poesia é para comer, ó subalimentados do sonho" - ficaríamos a saber, se tal não soubéssemos!)

    forte abraço, meu caro José Carlos

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  4. Nas palavras o ímpeto, a leveza e a graça do regresso à infância. E na arte do poeta um voo surpreendente.
    Vibrante é, também, o acompanhamento musical.

    Beijo, José Carlos.

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  5. JOSÉ CARLOS,
    Poema com cheirinho de infância, onde tudo tem uma dimensão diferente, que nada se mede por escala, mas por sensações que ficam pela nossa vida inteira!E que trazem tudo de volta quando entramos na maturidade.
    Vídeo - show!
    Beijo, amigo! Um bom fim de semana.

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  6. Caro José Carlos li esta sua poesia com o respeito que os bons poemas merecem ser lidos. Depois da primeira leitura li mais uma vez, tendo em mente que Drummond dizia mais ou menos estas palavras: não adulemos o poema, guarde-o numa gaveta para que descanse, até que tempos depois possas concluí-lo. Essa é a ideia que tenho do conselho do mestre. Senti, amigo José Carlos, que esse seu poema não foi adulado pelo poeta, que soube deixá-lo na gaveta para que fosse concluído no tempo que se fazia necessário. Parabéns.
    Um grande abraço.
    Pedro

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  7. sem sacudir,
    nem nada
    nem vento
    nem aragem

    a poeira que se levanta
    da infância
    em voos de borboleta
    de palavras ternas
    e tão amadas

    guardemos no cofre das nossas memórias
    sempre...

    beijinhos

    :)

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  8. A começar pelo vídeo-música, 4 mulheres únicas
    na voz, alma e presença de palco. Adorei,
    preciosidade, amigo!!
    Este poema tem a profundidade da memória,
    a voz materna em palavras que "descem pela
    raiz do meu sangue".
    Belíssimo este caminhar por dentro ao
    encontro do teu menino "na poeira da infância
    a onda renasce" "com cheiro de bombom
    de menta"...

    Simplesmente sublime!!

    Votos de um feliz final de semana,
    com a criança interior a voar, meu amigo.
    Beijos.

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  9. Quatro vozes marcantes em belíssima apresentação, o poema é de uma profundidade e beleza ímpar!

    Desculpe a demora em retribuir sua benfazeja visita. Que seja leve seu fibdi!
    Abraço!

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  10. Começando pelo video... 4 vozes poderosas e marcantes, que foi um verdadeiro prazer descobrir e apreciar...
    O poema... belo e profundo, que mergulha nas memórias da infância... onde se define, a essência de cada um... para o resto da sua vida...
    Adorei cada palavra, José Carlos!... E porque tinha uma foto de uma borboleta, na calha para sair por estes dias... acho que estas suas palavras, me surgiram aos meus olhos, na melhor altura... irei destacá-las no meu próximo post, daqui a mais alguns dias, se não vir inconveniente... com o respectivo link para aqui... se acaso a tradução, não ficar a seu contento, será só me dizer, que será prontamente alterada!
    Beijinho
    Ana

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    Respostas
    1. Ana,
      Fique à vontade para utilizar o fragmento, o poema inteiro, o que você achar melhor.
      A sua presença nesta casa é muito gratificante para mim.
      Torço pela recuperação completa da sua mãe, o mais rápido possível.
      Beijinho,
      José Carlos

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  11. Um poema airoso com sentires muito humanos.
    Desejo-lhe muitos amanheceres assim...
    Muito belo, JCarlos.
    Beijo
    ~~~

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