segunda-feira, 16 de abril de 2018

Minha procura



Para Rita Vieira, minha cunhada

Desde então é possível fazer
sem nenhum arrependimento
este pequeno ato:

buscar os rastros das palavras
invisíveis nas árvores
desnudas
abatidas
pilhadas
calcinadas
como se não pudéssemos
deixar o mundo em silêncio

mas 
o que eu não sabia
é que no poço mais fundo
desse matadouro, tu eras 
a minha elipse

sabotando  o meu sono
enquanto eu me alongava
na folha em branco do teu silêncio. 

(José Carlos Sant Anna)

15 comentários:

  1. Bom dia. Um poema lindo demais ;))

    Hoje:- {Poetizando e Encantando} Se chegares, amar-me-ás eternamente.

    Bjos
    Votos de uma Óptima Terça-Feira.

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  2. Poema lindo demais. Muitos parabéns :))

    Hoje:- {Poetizando e Encantando} Se chegares, amar-me-ás eternamente.

    Bjos
    Votos de uma Óptima Terça-Feira.

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  3. Que versos profundos, o poema todo é um primor, e estes versos são demais:
    "sabotando o meu sono
    enquanto eu me alongava
    na folha em branco do teu silêncio. "

    Desejo um dia azul!
    Abraço!

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  4. O poema todo é belíssimo e triste, José Carlos, mas destaco esse verso:

    "buscar os rastros das palavras
    invisíveis nas árvores
    desnudas
    abatidas
    pilhadas
    calcinadas
    como se não pudéssemos
    deixar o mundo em silêncio"

    E fico a pensar quantas vezes buscamos explicações, ou palavras de incentivo, de solidariedade, de esclarecimento, de apoio, uma solução de qualquer natureza e nada...nada! Silêncio!

    Como a poesia é de livre interpretação, achei meus caminhos nesse sentido. Como é triste quando precisamos de algo e topamos com um silêncio cemiterial!
    Beijo, meu amigo, uma linda semana.

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  5. assim é Poeta

    no fundo do mais fundo há sempre a elipse

    ou tão somente amemória que fica e perdura para todo o sempre...

    beijinhos de amizade e admiração

    :)

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  6. Olá, José Carlos!
    Por vezes as palavras tiram o sono, outras vezes é o silêncio. Quantas vezes a mente não para de pensar no porquê das coisas e a insónia chega.
    Beijos

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  7. Por aqui as árvores também andam assim maltratadas, mas os
    poetas também encontram os rastos das palavras ocultadas...
    Essa elipse sabotadora do sono é uma marota, porém, é a
    chave interessante do poema.
    Gostei muito do seu poema inteligente.
    A música é muito interessante, muito brasileira, muito vossa...
    ~~~ Abraço ~~~

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  8. Caro José Carlos,

    a elegância das elipses no fechamento do teu belo poema.
    como a abóbada da catedrais a celebrar o silêncio.

    forte abraço, meu amiga

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  9. "amigo" deve ler-se! peço-te desculpa pela gralha.
    abraço

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  10. As palavras. O silêncio. E a luz do poema a resgatar a força expressiva da linguagem. Muito belo, o poema, meu Amigo.
    Um beijo.

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  11. Esta folha em branco parece convocar-nos para uma bela noite de luar que se estende e se derrama em silêncios fascinantes.

    Parabéns, José Carlos.
    Beijo.

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  12. Quando o entendimento e o bem querer, se revestem de silêncios... e as palavras não se tornam necessárias... é o entendimento perfeito, num ciclo que se completa, simbolizado pela elipse...
    Belíssimas as palavras... e o tema musical, absolutamente encantador, que foi um prazer descobrir! Não conhecia, nem a intérprete, dona desta voz tão doce e harmoniosa!...
    Mais um post, revelador, de todo o seu talento e sensibilidade, José Carlos! Parabéns!...
    Beijinho!
    Ana

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  13. Caro José Carlos,

    Um poema belo no dorido da ferida
    da perda e da saudade...
    Tu com a tua arte poética conseguiu fazer
    a catarse desta dor e inscrita de beleza.
    Tudo de bom com a paz e a luz no teu caminho!...
    Beijo.

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  14. Nos silêncios e nas folhas brancas a alma fala e escreve tanto...

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