segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Águas fundas


Ah! se eu pudesse vê-la no veleiro embarcado no primeiro vento gélido, relíquia de Fevereiro, sem fechar os olhos para o alerta a desmoronar meu silêncio na eternidade do instante para que o amor ferido não se acabe, embora nunca a pensasse perdida, porque sempre a esperara, numa florida nudez de sortilégios. 

(José Carlos Sant Anna)

11 comentários:

  1. Passeio os olhos por aí

    Hoje descobri um Poeta
    Que no seu silêncio gritado
    Escreveu o poema que eu deslacei
    Desalinhei
    Refiz e enlacei no meu silêncio
    Que se transmutou em paz
    Em luz
    Em dia
    Em generosidade

    Passeio e consigo abarcar

    As fores silvestres ao longo do caminho
    Com aromas suaves e simples
    E desembaraçada
    Atiro-as para o mar
    Que as levará além continente

    Passeio os pensamentos

    E sorvo sequiosa as palavras
    Do poeta
    Que tatuadas
    Trespassam no âmago do meu viver
    E assim ficam serenas

    O universo é uma imensidão de ternura
    Em que eu habito na sua plenitude


    © Piedade Araújo Sol 2019-02-11

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    1. Ai de mim, não sei se estou a altura de entrar pela porta do seu poema, intenso, lírico, generoso, porque não basta a vontade de querer ultrapassar os umbrais que o protegem, há de merecê-lo!
      Essa é minha dúvida.
      Tomara, eu tenha sido capaz de compreender o que está além do que está dito. O que não falta no seu poema é alusão...
      Muito agradecido pela generosidade deste poema maravilhoso!
      Beijos, Piedade!

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  2. Boa noite amigo José Carlos, a abertura dessa sua postagem não poderia ser melhor que essa, com Les Feuilles Mortes, na voz incomparável do grande Yves Montand, música e voz se completam numa verdadeira obra prima. Depois disso leio, por duas vezes, essa tua excelente narrativa poética, certamente num momento de grande inspiração. Então, amigo José Carlos, ficamos com essas três peças artísticas, a música, a voz e o poema. O que mais podemos querer?

    * Aqui em casa Taís e eu estamos ainda muito sentidos com a morte do grande Ricardo Boechat. Uma pena!
    Grande abraço
    Pedro

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  3. José Carlos,

    o amigo Pedro Luso falou - está (bem) dito! que mais desejar? temos o poema, a música e a voz de Ives Montand...

    sobra, é verdade, essa funda nostalgia de "folhas mortas", que apenas humaniza.

    e a teimosa esperança de nova(s) Primavera(s)...

    abraço, meu caro amigo

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  4. Báh, professor, o Pedro descobriu o 'caminho das Índias', ele navegou, saiu na frente e tirou de nossas cabeças o trio de ouro: o poema, a música e a voz!
    Olha que linda essa imagem: "desmoronar meu silêncio na eternidade do instante para que o amor ferido não se acabe".

    Verdade, fiquei tão triste com a morte de Ricardo Boechat que não consigo pensar muito.
    Parabéns, querido poeta!
    beijo

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  5. Sabemos por George Steiner que a linguagem do poema tem a capacidade de dizer muito mais do que ela significa, de significar muito mais do que diz. Assim com este seu poema dedicado, meu Amigo José Carlos. Porque a memória vai mudando e aquilo que recordamos muda-nos. Achei lindíssimo!

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  6. Gostei muito da publicação. Música excelente , em consonância com as belíssimas palavras poéticas.
    Aproveito para agradecer a visita e o simpático comentário...

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  7. Águas fundas... folhas mortas... sortilégios de um amor ferido...
    coração que se quer enganar...
    As entrelinhas são tão interessantes como o texto...
    A chanson Les Feuilles Mortes de Ives Montand é um monumento.
    Dias de paz e amorosidade.
    Terno abraço, Amigo.
    ~~~

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  8. Ouvir "Les Feuilles Mortes de Ives Montand" e seguir no veleiro de "uma florida nudez de sortilégios" é encontrar a vida em poesia.
    E eu, porque gosto muito das janelas que por aqui se abrem, continuarei a deambular "Nas dobras do dia".

    Beijo.

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  9. Quanto amor e vaidade
    Abraços e poemas

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  10. Um percurso de vida... no curso do veleiro... que são as suas inspiradas palavras... muito bem harmonizadas, com a notável escolha musical...
    Pura maravilha... mais uma... das que vou sempre encontrando por aqui!...
    Beijinho!
    Ana

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