terça-feira, 3 de setembro de 2019

Porto


Por um dos corredores do shopping, uma criança de dois para três anos de idade, puxada pelas mãos de sua mãe, em passos rápidos e coração acelerado, gritava "uma livraria, uma livraria, oba", feliz da vida por tê-la tão perto de suas mãos, dos seus pés, dos seus olhos, faiscantes. Por um momento, aquela voz apagou o tom sombrio do meu olhar sofrido dos dias que ficaram mais longos e que vergam meu corpo ao peso dos dissabores das arrogâncias do capitão do mato do meu país natal; por um momento, aquela voz me fez acreditar que os ventos que me fazem tão diverso hoje são os mesmos que não apagam as esperanças de que dias melhores virão. 

(José Carlos Sant Anna)

3 comentários:

  1. Os ventos mudam. Hão-de mudar nesse maravilhoso país. E a esperança não vai morrer nunca no olhar das crianças e dos poetas.
    Um texto que mostra bem a sua preocupação e aquilo em que quer acreditar. Gostei imenso.
    Um beijo, meu Amigo José Carlos.

    ResponderExcluir
  2. José Carlos, meu amigo amigo

    impossível ler um texto tão límpido, tão intenso e vibrante
    e não sentir "todas as borboletas da emoção" agitarem-se cá dentro e subirem à garganta, a embargar a voz...

    são enormes os Poetas, que sabem captar os sinais de Futuro, nos pequenos/grandes momentos de um quotidiano sofrido, que verga o "corpo ao peso dos dissabores"...

    grande e solidário abraço

    ResponderExcluir
  3. oh, oh ,
    dupliquei o amigo! sorry
    (mas mais vale "pecar" por excesso...)

    abraço

    ResponderExcluir