quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Razão do poema

 

Com todas as letras,

confesso

que me surpreenderia

se não fosse o grito altaneiro

vindo da carne das palavras 

incisivos, penetrantes,

e dos tantos viços possíveis

que me deixam abismado 

ao sugar a água do meu poço,

ao tirar do fruto o caroço,

ao fincar a unha no meu rosto,

ao afogar o meu espanto

alumbrando o momento

ardente na razão do poema

a haurir o chão da vida

até o pescoço. 


(José Carlos Sant Anna)

15 comentários:

  1. Video / poema a conjugação poética perfeita.
    .
    Abraço poético

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  2. Y es un grito necesario despojar la palabra y darle vuelo aun en un poema confesado. Precioso leerte, mi buen amigo.

    Mil besitos para ti, José Carlos.

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  3. Darle la razón al poema, lindo.
    Besos.

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  4. Olá, meu amigo, pois é, esse poema, no momento, serve pra mim e milhões de almas gêmeas, serve como uma luva! Esse grito altaneiro veio para talvez aliviar, pois nada tá muito bom, um dia chove, o outro faz sol, nos enche de esperança, mas logo já vem trovoadas, e nós ficamos nessa onda gigante e bagunçada. Assim foi minha interpretação desse seu belo e intenso poema.
    Que voltemos ao normal, seja ele novo ou velho.
    Gostei muito de ler "Razão do Poema"!
    Beijo, José Carlos, até mais.

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  5. Bah, e não falei do vídeo, fantástico! Bela escolha. Essa dupla... que saudades da nossa música brasileira! Era um orgulho.
    Agora temos milhares de... deixa pra lá. rss
    Beijos!

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  6. A razão de quem escreve é a mesma de quem as saboreia, Jcarlos
    E como nada é definitivo nem as palavras sempiternas havemos de dobrar nossos dias e ir se 'alumbrando' com a 'chuva prazenteira, que molha a terra, que enche o rio, que limpa o céu, que trás o azul...
    Sempre um privilégio ler-te e vir a sua casa, ver-te.
    meu abraço.

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  7. Confesión que grita en el poema. Saludos amigo.

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  8. Uno de los enemigos del aprendizaje es querer tenerlo todo claro, todo el tiempo. Y me pasó con tu poema, sobre todo porque desconfío de la traducción de un par de palabras. Así que suelto la pretensión de tener claridad y me dispongo a sentir. Y entonces aparece la alegría de tu juego con las palabras, del asombro, del placer de la creación.

    Siempre es un placer, también, leerte.

    Beijos, muitos

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  9. José Carlos, tenha uma primavera completa e harmoniosa,
    haurindo as suas belezas plenamente...

    A chuva vivificante desse par de excelentes músicos...
    Por aqui -- cada vez mais fria -- já não mima nem roseiras, nem rosas.

    Poema magistral!

    Abraços, amigo.
    ~~~~

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  10. Confesso que também ficava surpreendida se a razão do poema não fosse aquele grito que franqueia a alma às palavras e aos silêncios e dá ao espanto de viver nomes contraditórios.
    Sempre a apreciar as suas palavras e a música que escolhe para acompanhá-las.
    Cuide-se bem, meu Amigo José Carlos.
    Um beijo.

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  11. também eu confesso
    que conheço poucos poetas para quem, como tu,
    a "razão do poema" seja assim tão "chão de vida"

    alumbrado eu fico sempre, caro José Carlos

    grande abraço

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  12. JCarlos

    A música caiu bem com o poema.
    Que é um grito que nos sufoca e faz pensar a vida.
    A vida e a viagem.
    Beijinhos caro Poeta!
    :)

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  13. Lindeza de poema, expressou bem o sentir o espanto poético! Bons poemas!

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  14. Olá meu amigo José Carlos Sant'Anna, certamente o poeta foi tocado pelos momentos mais negativos que vivemos no presente, com nossa visão nublada quando contemplamos o horizonte. Esperança sempre haverá, mas aos poetas cabe a denúncia. Gostei muito desse poema, José Carlos.
    Uma boa semana, com muita saúde.
    Grande abraço.

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