Subterrânea,
na poeira da infância
a onda renasce
nas águas do meu corpo
com cheiro de bombom de menta
sem que eu saiba o que fazer...
E, no entanto, impetuosas e lisas,
as palavras se levantam.
E uma voz
que me fala de pequenos desvelos,
que me fala de pequenos desvelos,
e um vento que desnuda cada coisa
como se fosse a última
descem pela raiz do meu sangue.
E nada mais me surpreende
no ar limpo da manhã
que alveja
este dia em que uma borboleta,
mais além, esvoaça
em espirais azuis a dizer palavras
em espirais azuis a dizer palavras
que me enternecem ao ouvi-las.
(José Carlos Sant Anna)