Por quanto tempo
o calor ata a minha língua
na canícula da manhã em transe
enquanto o escambo com o vento
põe-me de pé, ébrio de sol,
velando
o sono matinal das nuvens
que jamais nos pertenceram
embora deixem a terra mais fecunda
Ajeito-me, então, no leito
de pedras flageladas pelo céu
coberto por alentos de vinho branco
enquanto a minha voz
em conluio
em conluio
com a nudez das minhas mãos
encena uma farsa para o lúbrico sol.
(José Carlos Sant Anna)
Tive o privilégio de ter um poema publicado ou republicado por uma amiga portuguesa chamada Ana Freire, no seu blog artandkitsblogspot. Dona de um sensibilidade imensa, vale a pena conhecer os seus textos e, sobretudo, as belíssimas fotografias que o seu mágico olhar vai velando e desvelando para os seus admiradores. Ela é uma anfitriã de alta estirpe. Este é o endereço do seu blog: http://artandkits.blogspot.com.br