quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Sobre uma casca



Descabido no orvalho, penso diferente
do que sonho porque o inefável me acena
palavras que me fazem tão leve, por acaso
mais leve do que claro, sem que firam o ser
ou o corpo que contraio. Logo, não me aferro
ao sonho, ao amor da existência que me
fere a pele, que aguça a minha sede, aflige
o meu sono e me abandona às margens
dessa vida em que me diluo sem saber
se o que estava em mim me subjugava
ao nada ou é o excesso que se move como
um rio ou é uma febre que só a si mesma
se compara, movendo-se dentro de mim
distendida como se fosse um par de asas. 

José Carlos Sant Anna



9 comentários:

  1. E... voemos no sonho, de pés bem assentes no chão.

    Meu abraço amigo.

    ResponderExcluir
  2. Amigo José Carlos gostei muito deste seu poema, uma sondagem à alma, numa introspecção muito bem elaborada. Parabéns.
    Ótimo domingo.
    Um grande abraço.
    Pedro

    ResponderExcluir
  3. Esse teu poema, com essa busca interior me fez lembrar um ou outro poema do joão Cabral de Melo Neto. É sempre muito agradável ler um poema como esse, um poema singular.
    Beijo, meu amigo, um ótimo domingo.

    ResponderExcluir
  4. Me ha encantado volver a leerte, amigo José, un precioso poema el que compartes.

    Un beso.

    ResponderExcluir
  5. Asas. As palavras têm asas. O poeta quer o cume da montanha onde os desejos se cumprem, mas ele é tão difícil de alcançar como as palavras lentas com que chegamos ao silêncio.
    Li e reli o seu poema tão intenso. Gosto dele.
    Uma boa semana.
    Um beijo, meu Amigo.

    ResponderExcluir
  6. ¡Me ha emocionado esa mirada a dentro de ti mismo, pensar es soñar despierto y ese sueño tuyo, no va a de herir tu piel! Sino que vuela en las alas del viento recitando este bello poema; bendita fiebre, bendita.

    Me ha gustado leerte y es un placer pasar por esta tu casa y empaparse de poesía.

    Un beso, José-Carlos.
    Gracias por este momento de lectura, y por tu huella en mi casa.

    Se muy -muy feliz.

    ResponderExcluir
  7. No teu par de asas pouso meu olhar.
    Admirável, poeta!

    Agradeço por pousar no meu Mundo e deixar teus versos.
    Um abraço.

    ResponderExcluir
  8. Asas. Se não as há, o Poeta as inventa e no sonho vai.
    Gostei da intensidade do poema.
    Beijinhos
    :)

    ResponderExcluir
  9. Não há melhor instrumento... de voo da alma... do que a poesia...
    Mais um trabalho, de uma profundidade admirável, José Carlos! Parabéns! Um grande abraço!
    Ana

    ResponderExcluir