quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Bricolagem



tudo o que ela queria
era um flash,
um instantâneo
nada, nada mais que isto,
ou talvez, quem sabe,
tudo isto.
epígrafes nas páginas ímpares,
escritas ao léu,
filmes
gibis
baralhos
tarôs
bricolagens

o caralho
ou imagens bruscas do Aleph de Borges
ou um bouquet de Simone de Beauvoir
no café da manhã
e o coração bumerangue
não estaria nem aí
para a histeria de Freud com pane
no seu imaginário
ou para as linhas tortas do império romano
sem as agruras de César
e, mesmo assim, com um Balzac caricato
o que ela faria do seu diploma
de anjos radioativos,

conspurcando o retrato da sociedade da época
se o levassem a um cruzeiro
em mar constelado
cheio de metáforas de incertezas?
o que seria da maquete
de frutas agônicas,  

adornando um salão de arte?

o desvario do seu idioleto é
a estupefação da sua poesia
Ah! e como ela oscila nos lapsos
da reinvenção da palavra. 


(José Carlos Sant Anna)




9 comentários:

  1. E o poder da palavra... é infinito... construtivo... ou destrutivo....
    Até onde ela poderá ir?... A palavra?... Até onde a lendo... a deixarem...
    Belíssimo trabalho poético... onde um mundo inteiro, foi em algumas linhas, plena e brilhantemente integrado!...
    Um grande abraço! E porque só agora, o tempo o permitiu... vou espreitar o que por aqui, tenho andado a perder, ultimamente...
    Desejando-lhe a continuação de uma óptima semana...
    Ana

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  2. Esqueci-me de acrescentar que foi um enorme prazer ouvir Santana... e recordar este tema... que adoro!
    Abraço, José Carlos!
    Ana

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  3. Concordo com a Ana, "belíssimo trabalho poético,
    brilhantemente integrado!".
    Um excelente poema que espelha a tua capacidade
    narrativa profunda e complexa neste moisaco
    cultural descrito.
    A reinvenção da palavra para aqueles que não
    cede ao lugar comum...
    Parabéns, meu amigo!
    O Santana é bem isto na música, uma originalidade
    musical, eu adoro!
    Beijos, José Carlos.

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  4. desse cardápio de necessidades algumas fazem levantar Freud e a sua corte celestial

    outras recomendo à Mulher de César! que se quer sempre virtuosa...

    chapeau, caro José Carlos

    anuncio-te que estão abertos os comentários no meu blog - espero continuar a merecer a tua presença amiga

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  5. Criativo, ótimo, uma colcha de retalhos...

    (...)para a histeria de Freud com pane
    no seu imaginário
    ou para as linhas tortas do império romano
    sem as agruras de César...(rs)

    Vídeo bom demais!
    Beijo!

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  6. Reinventemos sempre as palavras!

    Gosto deste tema de Santana, revivo-o.

    Boa semana, amigo.

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  7. Uma linguagem que se reinventa a cada verso. A construir sílaba a sílaba o direito e o avesso das nossas contradições...
    Um poema excelente, meu Amigo.
    Gostei de ouvir Santana.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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  8. e
    sempre a palavra será reinventada
    nas mãos do poeta
    e na sua inspiração
    tão veloz como o vento no destempo
    do tempo
    presente
    ou tão ausente

    beijos

    :)

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  9. Belo o teu caminho
    percorrido de alfa a ómega
    Lapsos e relapsos há-os
    desde sempre
    nas palavras o Poeta inventa
    e reinventa sílaba a sílaba
    brandas ou sonoras mudas ou desmudas
    desnudas vogais ao léu
    consoantes no céu
    declinações vistas e revistas
    sucessivamente
    desde sempre ternas eternas

    Abraço, Poeta.

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