quinta-feira, 17 de maio de 2018

À luz do sol



Pelo lado de dentro acolhi em balões amarelos o silêncio da beleza na janela do meu quarto. Depois a forrei em papel celofane. Era por essa janela, apesar do papel celofane, que, incauto, o sol entrava em minha casa. Corria pelo corredor e se alojava na sala. Sem cerimônia. Era também pela janela do quarto que eu ouvia histórias alheias, cheias de aromas antigos. Depois as calava em versos em cima do meu travesseiro que tinha a medida dos meus braços. Outra era a poesia que recendia dos solitários azulejos da cozinha. Cúmplices, eles guardavam metáforas de cordilheiras antigas da minha vida. E só os meus olhos cabiam nessas histórias.


(José Carlos Sant Anna)

15 comentários:

  1. a sua prosa poética é muito agradável e cativante,
    tal como o som que a acompanha... Bons momentos
    que agradeço.
    Dias brilhantes... de muito sol pleno.
    Abraço amigo.
    ~~~~~~~

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    1. ~Ps~ José Carlos, para aceder ao meu blogue, depois de
      abrir a página do G+ veja as informações, lá encontra o link.
      Deixei música, poesia e uma breve nota.
      Agradeço o comentário que deixou. Por ele, verifico haver sintonia de gostos...
      Abraço.
      ~~~

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  2. Que bonita essa prosa poética!!!
    Cada um de nós tem guardada na sua intimidade - e na medida certa - toda a nossa imaginação, os nossos sonhos, as nossas lembranças! Seu gosto musical é ótimo.
    Mandou bonito, meu amigo!
    Beijo!

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  3. JCarlos
    os olhos (os seus) guardam tantas histórias nesse cenário por você criado que por vezes nem eles próprios saberão o que é ou foi ficção, o que é e foi real.
    tão a meu gosto, que até meus olhos também entraram no elenco desse cenário.
    beijinhos
    :)

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  4. Lindo Poema! Deixar entrar a luz do sol é trazer luz a nossa vida.
    Abraço.

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  5. "Casa onde caibas, terra quanta vejas..."
    diz-se na minha terrinha!

    "Terra quanta vejas", ou sonhos, ou altas cordilheiras..

    gostei muito, meu caro José Carlos.

    forte abraço

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  6. Esta singularidade nos remete ao caminho sublime,
    recolhidos nos olhos da alma, a medida que nos
    cabe e a poesia este caminho de passos quase
    etéreos, que somente a arte recolhe na
    eternidade das palavras...

    Muito belo este seu caminho na arte das
    palavras, amigo.
    Beijo.

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  7. Só essa corrida do sol levaria, "sem cerimónia", tão brilhante inspiração. E nos azulejos da cozinha se dobram os dias.
    Gostei tanto!

    Beijo, José Carlos.

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  8. Uma janela aberta debruça-nos sobre o espanto. Por isso os seus olhos cabem nas palavras vêm do coração…
    Magnífico, o seu texto!
    Uma boa semana, meu Amigo.
    Um beijo.

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  9. Uma casa, tão cheia de luz interior... onde até o sol, sempre que podia, nela queria morar...
    Um texto muito belo e enternecedor, José Carlos!... De leitura maravilhosa!... Adorei cada palavra!...
    Beijinho! Feliz semana!
    Ana

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  10. Caro José Carlos como comentar a sua “À luz do sol” sem cometer deslize em relação à forma? Será prosa poética ou então poema disfarçado em prosa? Na dúvida, falo do que me transmite o poeta, do sol no quarto, no corredor da casa, alojado na sala, também na cozinha. Sem esquecer o travesseiro do tamanho dos braços. O papel celofane não impede que o quarto se inunde de sol, que sabe de todos os segredos e de todos os sonhos.
    Parabéns poeta!
    Um grande abraço.
    Pedro.

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  11. Olá José Carlos!
    Os olhos são o espelho da alma e por isso podem contar muitas histórias. Umas tristes, outras alegres mas todas fazem parte da nossa vida.
    Beijos

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  12. Porque essas histórias só cabem nos nossos olhos.Lindo...! Um abraço Carlos.

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  13. E é tão bom quando raios de sol podem brincar no olhar, bem como outras histórias.

    Abraço, amigo José Carlos!

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