sábado, 8 de fevereiro de 2020

Estudo para flauta e violão II


nas palavras, as raízes. nelas convergem os ventos da esperança em labaredas que, depois de tudo e, nos vestígios das ausências, se esvaem numa lágrima bruta do peregrino em escrutínio secreto, quando ele abandona os roteiros cansados, as miragens, as perguntas ainda obscuras em céu aberto. não há urgência de tempo entre os bichinhos da mata em frutas e entre o gesto e a sombra. e adensa o tempo de espera na exígua morada dos dias, mas o peregrino, entre as pedras do caminho e o rio, agradece o coaxar dos sapos mostrando, sem esquecer as palavras, que o verbo se mantém vivo no horizonte curvo ou na chama das cores de um arco-íris. essa guerra já dura anos na memória de sangue do transeunte de inumeráveis caminhos, nas ressonâncias de um gesto, nos zumbidos das abelhas nas tardes quentes, na dor outra vez apunhalada na réstia de sol. 


(José Carlos Sant Anna)

14 comentários:

  1. Siempre se agradece el continuar aun con esa controversia Interna... Pero como el peregrino que disfruta del sonido de la naturaleza... Debemos seguir disfrutando del don de la vida.

    Mil besitos, José Carlos y feliz día.

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  2. Um texto extraordinariamente expressivo em belas imagens,
    metáforas, analogias e outras figuras... lembra uma bela
    tapeçaria bordada... uma obra de arte!
    Porém, «o verbo se mantém vivo»

    Gostei de o ler e da continuação da excelente música.
    Vivendo e aprendendo, por aqui aprendo sempre e agradeço.
    O meu abraço, Amigo.
    ~~~

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  3. José Carlos,
    Estou gostando muito das andanças desse teu peregrino, agora mais carregado de sentimentos e emoções!
    A música? Que saudades, há anos que não a escutava, tínhamos tantos compositores e cantores nessa época que nos perdemos das belas músicas! Pena o que aconteceu com a música popular brasileira, longe hoje estamos da bela música!
    Beijo, José Carlos, um ótimo domingo, amigo!

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  4. Un placer pasear por tus letras. Saludos amigo.

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  5. Era como andar com você, um peregrino, por uma natureza cheia de beleza.
    Beijos pela estrada.

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  6. Hola, José Carlos, nos dejas un precioso y profundo poema que da para una debemos areflexión. somos peregrinos de la vida y tenemos el derecho de ser felices y aprovecharlos mejores momentos que la vida nos nos brinda mientras que podamos con amor y esperanza mientras qué podamos.
    La vida es eso un peregrinar continuo de lucha con nosotros mismos,

    Encantada de leerte y te dejo un abrazo y mi gratitud.

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  7. Se me olvidaba, es precioso el vídeo la música con esas voces tan bonitas y claras.

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  8. De inumeráveis caminhos são feitas as suas palavras onde me sinto peregrina ou nómada em busca da beleza expressiva do seu texto.
    Excelente a música.
    Uma boa semana, meu Amigo José Carlos.
    Um beijo.

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  9. A natureza aqui tão presente e associada a uma tão grande serenidade... neste itinerário dos peregrinos... ao interior de si mesmos!...
    E como é tão mais fácil ser-se devoto de um qualquer santo, do que se ser devoto de si mesmo... enquanto simples pecador... apostando-se na sua conversão... não admira pois que tantos abandonem os roteiros cansados, onde nem sequer se reconhecem, primeiro que tudo, para se poderem achar...
    Enfim... o brilhantismo das suas palavras, José Carlos, a fazer-me começar a divagar, em mil direcções...
    Excelência, em palavras... e na sua escolha musical, José Carlos... que também me leva para itinerários do panorama musical brasileiro, que eu desconheço... e que é sempre um prazer descobrir...
    Beijinhos! Desejando-lhe uma feliz semana...
    Ana

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  10. Gostei muito desta sua crônica, caro amigo José Carlos, crônica que me parece ser parente muito próxima do poema (ou será um poema?), numa bela linguagem, como se vê no seu início:

    “nas palavras, as raízes. nelas convergem os ventos da esperança em labaredas que, depois de tudo e, nos vestígios das ausências, se esvaem numa lágrima bruta do peregrino em escrutínio secreto, quando ele abandona os roteiros cansados, (...)”

    Uma ótima terça-feira, José Carlos.
    Grande abraço.

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  11. E a busca continua Jcarlos ,indefinida e inacessível_ territórios sagrados que só os valentes peregrinos não 'abandonam os roteiros cansados' rs
    o abraço , sempre.

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  12. Depois de ler esta crónica que é um poema corrido, depois de ouvir a música...

    que posso eu dizer?!

    adorei!

    beijinhos

    :)

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  13. Numa encruzilhada de veredas o eu peregrino lê com vagar, devagar, as significãncias da palavra. As estruturas de suporte à progressão estão montadas pelo caro Artista/Poeta/Escritor.
    Cabe ao leitor mergulhar nesta prosa de tão elevada abrangência, elegância e poesia. Para que serve? há sempre quem pergunte. A esses digo, serve para a descoberta do belo, da raiz à cabeça.
    Peregrino, eu próprio.
    Abraço.

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  14. Tenemos mucho que aprender de los animales...

    Mil besos.

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