sexta-feira, 3 de abril de 2020

A lagarta


ficar adormecido em um sonho bom e puro, é ver-te, quedando-se esquecida de si mesma, degustar o seu lauto café da manhã. Sem nenhum barulho. e temerosas, as folhas se aconchegando uma a uma. e ver ainda muito mais sulcado o caule porque os dedos também não puderam reter a água a deslizar em correnteza; ficar sem perder a perspectiva, é ver erguer-se a luz do sol em tudo; é ver espalhar-se o discurso, às vezes, vigoroso, do vento pela extensa planície em quietude; e ver também um bando alado beber a seiva e roubar os frutos das árvores, tornando mais leve o ar que se respira. e esta expectativa, que paira silenciosa, acende dentro de mim uma luz na pandemia. 

(José Carlos Sant Anna)

15 comentários:

  1. Es hermosa esa luz que se te enciende en la pandemia. Imagino ese iniciar el día, observándola adormecido... abriéndose el día y con él la vida... (ver erguer-se a luz do sol em tudo es un precioso verso). Hice una relectura del texto, tras leer la traducción, escuchando la música y también se me enciende una luz dentro de esta pandemia que tan extraños nos hace sentir.

    Admiro la sensibilidad que tienes para observar la belleza en lo cotidiano.

    Muitos beijos

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  2. Pois é, meu caro José Sant’Anna, este é mesmo um belo conto (A lagarta), uma bela prosa poética, que, com sua licença, transcrevo o seu trecho final:

    “e ver também um bando alado beber a seiva e roubar os frutos das árvores, tornando mais leve o ar que se respira. e esta expectativa, que paira silenciosa, acende dentro de mim uma luz na pandemia.”

    Um bom final de semana amigo José Carlos.

    Grande abraço.

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  3. Luz de esperanza en tu poema. Saludos amigo.

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  4. Olá:- Delicioso de ler.
    .
    Feliz fim de semana
    Fraternas saudações

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  5. Bello despertar con uno mismo, descubriendo esa luz que empieza desde dentro hacia fuera.
    Muy bello, José Carlos.

    Mil besitos y feliz tarde.

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  6. José Carlos, enquanto lia tua ótimo prosa poética fui pensando como a gente era feliz e não sabia! Muitas vezes ficamos nas apegados nas titicas da vida, querendo cada vez mais a perfeição e a felicidade, e quando vivenciamos uma pandemia dessas, e com essa agressividade, temos saudades de tudo, mesmo de coisas que nos incomodavam. E agora podemos ver que felicidade se resume primeiro numa palavrinha só: saúde! Mas sim, há uma luz no final dessa pandemia, querido amigo! Nós mudaremos, o mundo mudará, mas após muitas lágrimas.
    Beijo, cuide-se.

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    1. correções:

      1 - lia tua ótima prosa poética
      2 - Muitas vezes ficamos apegados nas titicas...

      bjs

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  7. Quero degustar as suas palavras e apreciar tudo quanto a Natureza nos oferece gratuitamente mesmo quando estamos distraídos. Quero ver essa luz que paira silenciosa no fim desta tragédia. Quero dizer-lhe mais uma vez o meu gosto imenso de o ler.
    Muita saúde, meu Amigo José Carlos.
    Um beijo.

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  8. Pois é, nestes momentos de aflição, demos atenção a pequenos detalhes que nem sequer olhavamos.
    E que no fim desta incerteza severa e má que a luz nos alumie o mais breve possível.
    Gostei de ler e gostei de ouvir a música.
    Bom domingo.
    Beijinhos
    :)

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  9. Ah, José Carlos, esse sonho é autêntico bálsamo!
    A pandemia não o coíbe de grandes escritas.

    Grande abraço

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  10. Sem luz não há sombras

    Abraço poeta

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  11. a metamorfose da lagarta, a tecer o casulo - seda pura!
    assim o meticuloso texto. em sua arte de nos prender à leitura.

    excelente. chapeau!

    grande abraço, caro José Carlos

    chapeau!


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  12. O bom é que é ha sempre uma milésima vez de recomeçar,
    e nada como uma boa expectativa!
    Luz própria já tens_o Universo o fará descobrir outros brilhos.
    Esperemos terminar !

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  13. Ainda cheguei a este lauto café da manhã. Fico contente porque também eu sinto tua falta no meu "perfume do verso". E ao ler teus textos vislumbro o carimbo de qualidade. Este derrama luz em tempo de escuridão. E que frescura tem a voz, a letra e o jeito de Mónica Salmaso. Luís Leite acompanha como se fora o moreno bem disposto da canção.

    Beijos, meu amigo José carlos.

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  14. Esperemos que no final de toda esta pandemia... ao sairmos de nossos casulos... sejamos borboletas, que saibam ver o mundo com outros olhos... e redescobrir, o verdadeiro valor, de cada momento, oportunidade e circunstância...
    Mais um texto absolutamente fabuloso, José Carlos... e que me tinha escapado, na minha ultima incursão por aqui... em tempos de pandemia... menos habitual... do que desejaria...
    Estou saturada desta virose... e de todos os seus efeitos colaterais, a vários níveis... que nos virou a todos, a vida pelo avesso!...
    Um beijinho
    Ana

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