domingo, 3 de maio de 2020

O que não parece ser





Uma lâmina afiada que rompe
a cegueira dos que nada viram 
e a sensação de que o mundo
desaba

deixa-me absolutamente sozinho
cercado de encostas nuas 
por todos lados

Uma lâmina afiada que corta
as folhas empapadas de orvalho,
ainda verdes, e que me dizem 
desde o momento

em que passam a respirar ou a viver 
em todas as outras como se tudo
fosse um infinito presente

E no austero escambo com o vento
os sóis morrem na lavoura arcaica
à parte, o nada em que as palavras
sobrevivem sem que eu as diga. 

(José Carlos Sant Anna)


17 comentários:

  1. Austero trueque con el viento pero que nos permita respirar.
    No pido más.
    Un abrazo.

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  2. Las palabras sobreviven (quizás malviven, pero no viven) esperando a que las pronuncies.

    Primero te leo así, entendiendo (casi) todo lo que puedo, y me agarró ese infinito presente, me tomó de la mano y me pidió que me quedara con él. En la segunda lectura, con ayuda del traductor, éste tradujo presente como regalo ("como si todo fuese un infinito regalo...") y sonreí, como si fuera una señal.

    Percibo algo de soledad, algo de desencanto, melancolía... y belleza. Y pienso en lo bonito que sería que publicaras más a menudo.

    Beijos, muitos

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  3. Respirar en la mañana tus palabras es como beber un te verde me ha encantado esta bocanada de palabras. Has sido un regalo. Gracias.

    Feliz día.

    Beso.

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  4. Meu amigo José Carlos Sant Anna gostei muito do seu "O

    que não parece ser", do qual destaco estes versos:

    "
    [...] o nada em que as palavras

    sobrevivem sem que eu as diga.”


    Uma boa semana, com os cuidados com o vírus, caro José Carlos.


    Grande abraço.

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  5. Olá, José Carlos, que lindo, que forte...que sofrido poema.

    "Uma lâmina afiada que rompe
    a cegueira dos que nada viram
    e a sensação de que o mundo
    desaba"

    Eu estou com essa sensação de que o mundo está desabando...
    E assusta.
    Um beijo, uma boa semana.

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  6. Lo es... es una cuchilla afilada que nos corta muchas emociones... veo esas pendientes y ... tú sabes hacer de la palabra elogios por eso ellas llegan a ti sin hacer nada. Precioso, amigo.

    Mil besitos para tu lunes JOsé Carlos.

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  7. Se siente esas cuchillas afiladas en cada palabra versada.
    Te deseo una buena semana.

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  8. Simplesmente brilhante, poeticamente falando. Gostei muito de ler.
    .
    Cumpts
    Cuide-se

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  9. Um respiro de sensibilidade na realidade crua,diante das lâminas cortantes aos olhos nus e perplexos.
    Oxalá,os sóis continuem nascendo e palavras poéticas acontecendo nas 'dobras dos nossos dias'
    abraço, Jcarlos

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  10. Melancolicos versos. Y creo que si, el mundo esta colapsando..... Saludos amigo.

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  11. JCarlos

    Poema pertinente e dorido, como está o mundo.

    O meu comentário a este poema é a minha postagem de hoje, li este poema no domingo e escrevi o meu ontem, espero que goste.

    deixo meu abraço bem apertado e um beijinho

    :)
    http://olharemtonsdemaresia.blogspot.com/

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  12. As palavras sobrevivem, mesmo neste infinito presente que nos corta a respiração, mesmo com a sensação de que o mundo vai desabar… As palavras sobrevivem, sim, Poeta.
    Um grande beijo, meu Amigo José Carlos.

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  13. E agora, Manuel? que dizer?
    deixar apenas que a beleza do poema te "persiga" (horas, dias)~
    e partir

    em busca e louvor
    das palavras que "sobrevivem sem que eu as diga".

    enorme, enorme teu talento, Poeta!

    grande abraço, meu caro José Carlos Sant Ana

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  14. Palavras assertivas que dizem dum mundo atolado em interjeições.
    E nas dobras do dia há "lâminas afiadas que rompem a cegueira dos que nada viram".
    Na verdade todos nos sentimos sozinhos.
    Parabéns, amigo José Carlos.
    Beijos.

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  15. Um poema acutilante e melodramático à altura dos dias do espanto que se vive à escala planetária...

    Deixei um comentário ao seu, no meu 'post' dedicado às mães...

    Apesar de tanto pesar, que nunca falte a boa música e a poesia.

    Abraço cordial.
    ~~~

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  16. Essa sensação de que o mundo desaba... tão presente, nos nossos dias, ultimamente... e muitíssimo bem expressa, nesta profundamente lúcida e assertiva, inquietação poética!...
    Mais uma vez, um prazer imenso descobrir o universo musical, de Hamilton de Holanda... virei noutro dia, com mais tempo, escutar este formidável vídeo!
    Beijinhos, José Carlos! Bom fim de semana!
    Ana

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