sexta-feira, 10 de julho de 2020

A seco





“Chove chuva chove sem parar”
Jorge Benjor


A chuva não deu trégua durante a madrugada e ainda corria solta pela manhã, alagando as ruas da cidade, quando a empregada entrou molhada das cabeça aos pés. A água que escorria pelo corpo era tanta que fez, sob os seus pés, uma poça na cozinha. 
A patroa, alheia ao que acontecia lá fora, perguntou-lhe as razões de estar atrasada.
E, sem titubeios, a empregada respondeu:
– Enquanto a senhora se remexia sob os lençóis, eu segurava a onda desse dilúvio pelo caminho...

(José Carlos Sant Anna)

14 comentários:

  1. Texto curto, mas que encerra um mundo de sentimentos!
    Gostei tanto da resposta da empregada. E não foi por ela ter sido frontal e até um pouco ríspida... foi pela forma poética como se expressou...(sorrio)

    Segurar o dilúvio, merecia ter arrancado às cordas do violão, uns sons mais rápidos e sonantes, como se a mulher estivesse a ser fustigada pelas bátegas da chuva. Mas, isso, já seria pedir demais, né?
    Sempre belos seus posts, Amigo e Poeta José Carlos Sant'Anna.
    Adorei.

    Beijinho e bom fim-de-semana.

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  2. Essa resposta veio na hora certa, José Carlos!! Um retrato verdadeiro pintado na mais absoluta realidade de muitos relacionamentos patroa e empregada. Excelente. Eu também daria uma resposta assim, mesmo que perdesse o emprego, rss.
    Beijo, um bom fim de semana, meu amigo!

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  3. E a seguir foi despedida.......
    .
    Cumprimentos

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  4. JCarlos

    acho que este texto é reeditado.
    porque eu já o li ou pelo menos lembro-me bem dele.
    só que tenho a impresão era mais longo.
    mas achei-o delicioso de ler.
    aquela resposta da empregada diz tudo...
    bom fim de semana.
    beijinhos
    :)

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  5. Es lo que ocurre cuando se habla desde la ignorancia... pensar que todo pasa por uno cuando las circunstancias son responsables de muchas cosas. Buen micro, José Carlos.

    Siempre un placer leerte.

    Mil besitos con cariño y muy feliz finde.

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  6. Com chuva ou sem ela,te desejo um excelente mês de Julho,muita alegria,muita paz e muita saúde para ti,fica bem,muitos beijinhos!!

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  7. Noites de chuva ... preciso de algumas assim.naturalmente sem atrasos de qualquer parte e sem murmurações_apenas o sentir gostoso de estar molhada ou entre lençóis.
    deixo um abraço Jcarlos

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  8. Me gustó mucho la respuesta que dió!
    Noches de lluvia que se convierten en turbulencias placenteras.
    Besitos y buen finde tengas

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  9. Belíssimo, José Carlos. Essa é uma empregada espevitada e com alma de poeta.

    Beijinhos.

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  10. Cuando creemos que nuestra realidad es la única que existe perdemos toda posibilidad de comprender a los demás.

    Cuidado con los diluvios, y si viene uno, asegúrate de estar en pareja (risos).

    Beijos, muitos

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  11. Segurar a onda desse dilúvio... A chuva entendida por quem tudo sabe da inquietude dos caminhos... Belíssimo, meu Amigo José Carlos!
    Um beijo.

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  12. empregada do pêlo na venta
    a arrumar a questão antes que a coisa esquente ...

    (a Lis é que topa essa malandragem rss
    ela e tu me desculpem o atrevimento)

    excelente texto, Caro José Carlos
    todo um mundo na palma da mão!

    forte abraço

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  13. A eterna dicotomia dos mundos... dos necessitados e privilegiados.. muito bem expressa, nas suas inspiradas palavras, José Carlos... que escrevem e descrevem tão bem o mundo nelas...
    O texto era-me familiar... mas continua havendo realidades que nunca mudam... e que é sempre bom relembrar, que assim é...
    Beijinhos! Continuação de uma boa semana, com saúde... e a tranquilidade possível... neste tempos tão fora do tempo...
    Ana

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