sábado, 8 de maio de 2021

Depois do rumor



todo poema é grito
e silêncio:

corpo sangrando
à luz
de gestos escandidos

no vácuo
o turvo
na tua frente

é também corpo
labirinto
palavra 
abrigo

e depois
de vivido

colhes
no dilúvio do olho
flor reluzente 

(José Carlos Sant Anna)

12 comentários:

  1. Concordando na íntegra. Onde assino?
    .
    Feliz fim de semana … abraço
    .
    Pensamentos e Devaneios Poéticos
    .

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  2. José Carlos,
    Não conhecia este grupo musical, gostei, com uma letra contundente e certeira.
    Pois é, Pra Que ?
    O poema é tudo isso, intenso e mortiço.
    Como sempre, um poema, que vai além da beleza, nos faz para refletir.

    Um abraço grato.




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  3. "Todo o poema é grito e silêncio". Todos os poetas são desafiadores desses silêncios e desses gritos para que as palavras se façam abrigo, ainda que labiríntico. Muito belo este seu poema. Gostei de ouvir a música.
    Muita saúde, meu Amigo José Carlos.
    Um beijo.

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  4. Muito , muito bom!!

    Gosto assim. Sem excesso de palavras, poesia enxuta no melhor sentido, ao mesmo tempo , os sentidos preenchendo o silêncio.
    O grito vertido através das palavras, eis a poesia. Uma das melhores que tenho tido a oportunidade de ler. Parabéns, amigo.
    Feliz semana.

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  5. pura filigrana, de tão bem dedilhado tão belo poema
    gostei muito

    grande abraço

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  6. Existe silêncios assim: acolhedores. E, para ouvi-lo é preciso conexão_ que haja silêncio dentro da alma.
    E o poema é esse grito do 'relógio que aponta e da lembrança que morre', mas também é palavra e gestos escondidos.
    Gostei do barulho abafado que representa esse Rumor poético.
    abraço forte Jcarlos

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  7. Olá, amigo José Carlos.
    Para não cometer exageros li esse seu poema 2 vezes, degustando verso a verso. Cheguei a pensar no Drummond, pois acho que ele ficaria encantado desde os primeiros versos, principalmente com

    "todo poema é grito
    e silêncio:"

    O que dizer se ele tivesse lido todo o poema?
    Então, amigo poeta, nem preciso dizer que gostei uma barbaridade, como dizemos aqui no sul.
    Uma boa semana, cuidando-se sempre, principalmente com as correntes de vento!
    Grande abraço.

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  8. Leo en silencio, silenciosas gritos poeticos. Saludos amigo.

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  9. Cada poema é um grito, uma canção desesperada.
    Espero que você esteja bem, deixo-lhe um abraço.

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  10. Muito lindo, José Carlos!!
    Verdade!! Se eu fosse poeta tenho certeza que meus poemas seriam feitos de gritos e silêncio, e nesse silêncio, lágrimas e poucos sorrisos. O poema torna-se belíssimo quando é regado à lágrimas, à tristeza e com indignação. Quando o poeta grita!
    Poema tem de bater de frente no coração, mexer com as emoções. Vir lá do fundo da alma e mostrar uma situação de desconforto.
    É, sou um pouco dramática, sei disso. Por isso não sou poeta! Têm de haver um equilíbrio. rss
    Uma feliz semana, José Carlos, e cuide-se também!
    (aquele livro do Milton Hatoum, eu ficaria com ele! rss)

    beijo.

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  11. JCarlos

    Que belo grito no silêncio do poema.
    Desculpe mas não resisti.

    flor reluzente
    no diluvio do olho
    colhes

    de vivido
    e depois

    abrigo
    palavra
    labirinto
    é também corpo


    na tua frente
    o turvo
    no vácuo

    de gestos escandidos
    à luz
    corpo sangrando

    e silêncio
    todo poema é grito

    (José Carlos Sant Anna)


    Gostei muito.
    Tenha bom fim de semana.
    Saúde e muita paz.

    ;)

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  12. A poesia como reflexão e catarse.

    "colhes
    no dilúvio do olho
    flor reluzente "

    Saboreei.

    Beijinho, amigo José Carlos.

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