sábado, 2 de janeiro de 2021

Na véspera

 


Permanecem as palavras. Ou quase.

Na véspera do Ano Novo, ela me escreveu

um texto. Lúcido. Simétrico. E curto. 

O texto me fez pensar em fotogramas. 

Era tão enxuto que me levou ao velho Graça, 

o comuna de Palmeira dos Índios, aquele 

que deu uma leve dor de cabeça à elite 

brasileira aos militares. Soberbo escritor. 

O texto é um filme em preto e branco. 

Ao olhar cada fotograma contra a luz, penso 

na história que o texto insinua entre dois 

oceanos. Mas não há fotogramas, penso ainda; 

há, sim, é o que o texto me diz. E penso também 

em Caetano Veloso. O Caetano de Chuva, 

suor e cervejasem a carnavalização, quando 

ela acentua: “Obrigado, por ser e estar. 

Não me soltes. Não me percas”. Não penso 

em camuflagem depois dessa luz entrando 

pela janela da sala e sorrio com este claro 

canto de aurora no riacho do ano novo.. 


                                   (José Carlos Sant Anna)

14 comentários:

  1. Gostei de ler e de ouvir o video.
    .
    Votos de um Ano Novo feliz
    Cumprimentos.

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  2. Bellas letras amigo. Te deseo lo mejor en este 2021. Saludos.

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  3. Há pessoas assim. Que enchem de luz as noites e as madrugadas e fazem com que as palavras permaneçam.
    Um Ano 2021 como você deseja, meu Amigo José Carlos.
    Um beijo.

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  4. Beleza de texto, José Carlos!
    O vídeo é lindo, não escutava essa bela música há tempos...
    Novamente, desejo um ano de muita saúde e esperança, a você e sua família! Vejo uma luzinha no fim do túnel, tomara que eu esteja certa professor! rs
    Beijo, avante!

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  5. Professor de Literatura, escritor e poeta José Carlos Santana, gostei muito dessa postagem criativa, que como tantas outras, enaltece esse Espaço Cultural. Parabéns, caro amigo!
    Meus votos de um Ano Novo com muita saúde e alegria.
    Grande abraço.

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  6. JCarlos
    li e reli, que beleza de texto você nos brinda em início de Ano Novo.
    que este seja menos doloroso do que o Ano que acabou.
    Beijinhos
    :)

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  7. Parece, entonces, que debieras no soltarla, no perderla...
    Si supiera cantar, te cantaría esta canción. Y alguna más.
    Vine varias veces y varias veces leí este texto, que siento tan íntimo que no sabía qué decir.

    Gracias por tanto. Tú sabes.

    Beijos, muitos

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  8. Gostei muito de ler. Que o ano de 2021 lhe traga muita alegria, SAUDE, prosperidade.
    .
    Pensamentos e Devaneios Poéticos
    .
    Cumprimentos poéticos

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  9. O novo ano não está nada fácil, amigo.
    Potugal totalmente confinado -- a partir de hoje -- tenta evitar o devastamento pela nova estirpe do SARS Covid...

    Tive pena de não encontrar o artigo sobre as palafitas... De tirar o fôlego!! E diz-se que a escravatura terminou no mundo...

    Tenho uma pequena homenagem ao Brasil no 'Vivenciando' e um poema sobre mim no 'Refúgio'... Talvez goste de apreciar...

    Dias de valentia na nobre resistência ao desespero...
    Abraço da minha melhor cordialidade.
    ~~~~~~~~~~~~

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  10. Acho que a chuva 'ajuda a gente se ver'
    só que não chove_ lá fora é um sol severo tal qual o momento.
    ... e seguindo a música _'seja O que Deus quiser'.
    abraço

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  11. Li várias vezes.
    Apetece permanecer. Apetece ser "canto de aurora no riacho do ano novo.."

    Bom Ano!
    Beijo.

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  12. Até ser dia
    na boca das sementes
    Abraço

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  13. Un placer leerte bontas letras. Un abrazo

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  14. Algo que esta pandemia nos obrigou, foi de facto a estarmos... ao encararmos um novo conceito de tempo, habituados que estávamos a correr por qualquer coisa... e a sermos confrontados com a possibilidade de que, a qualquer momento, algum dos nossos, poder deixar de o ser... por não mais poder estar...
    Este tem sido mesmo um tempo de separação do trigo do joio... para o melhor e para o pior... entre laços e nós...
    Adorei o texto... que tanto enfatizou, como poucas palavras, podem chegar fundo... e fazer mudar vidas...
    Peço desculpa de só agora ter chegado aqui, Jose Carlos... mas o Janeiro, aqui em Portugal... foi o mais terrível de que há memória, com a pandemia em alta, como jamais se imaginasse que poderia ter tal escalada e repercurssão, como resultado de um Natal... mais aliviado... mas que tendo proporcionado alegrias, por tal... foi também o último de muita gente... e eu mergulhei directo, ainda mais, em todas as medidas de prevenção caseiras, e mais algumas... até hoje... mas tenho conseguido, tanto quanto me é possível, manter a minha mãe... longe de ir aprender lições de vôo e de harpa, antes de tempo...
    Um beijinho! Vamos tentar dar o benefício da dúvida a este 2021, que não tendo começado nada bem... com a vacinação em curso... talvez ainda se nos possa mostrar um pouco mais animador, e promissor...
    Saúde para si e todos os seus, José Carlos! E votos de tudo a correr pelo melhor, por aí!...
    Ana

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